Caríssimo(a) irmão(ã), seja bem-vindo(a)!

04 de julho de 2022

Seminário Diocesano celebra Corpus Christi

17/06/2022 . Notícias da Diocese

Celebramos a solenidade de Corpus Christi nesta quinta-feira no Seminário Diocesano São José contando com a presença do Frei Gregório, OCD, que presidiu a santa missa. Foram grandes as mercês de Deus que recebemos neste dia de modo a podermos declarar com o salmista: “Um abismo atrai outro abismo ao fragor das cascatas […]” (Sl 41,8), isto é, o abismo profundo da infinitude de Deus atrai o abismo da nossa humana pequenez a partir das águas que jorram do corpo santo de Cristo.

Após o pecado original nós, enquanto humanidade, andávamos amargurados fugindo de Deus (Gn 3,8), mas onde nos esconderíamos daquele que tudo perscruta com seu olhar (1 Sm 16,7)? O desespero era nossa estrela-guia, e as lágrimas, o nosso alimento (Sl 79,6). Fugíamos para qualquer lugar, sem chegar a lugar nenhum; buscávamos algum caminho, mas qual caminho tomaria aquele que não sabe aonde quer ir? Eis o abismo da miséria humana do qual fomos herdeiros.

Todavia, nesta celebração, pudemos experimentar o abismo da misericórdia de Deus. Parece impossível e absurdo se pensar em uma aproximação entre Deus e o homem dada a infinita distância que os separa. Mas o que parecia impossível tornou-se possível graças à grande ponte criada pelo Deus-homem. Jesus fez do divino, humano e do humano, divino. Oh, mística sublime que transpassou nossos corações nesta celebração! Oh, divina humanidade e humana divindade que nos tornou participantes de Deus (Sl 81,6)! Que palavras poderiam exprimir as sutilezas escondidas no corpo e no sangue de Jesus? Que poetas conseguiriam versificar essa sublime poesia?

De fato, é ingrata esta minha missão de ter que traduzir em palavras a inefável experiência que pudemos presenciar! Isso porque o divino veio nos visitar escondido sob as espécies do pão e do vinho para que sua beleza estonteante não ofuscasse nossos olhos e eclipsasse nossa visão. Mas não apareceu meramente como o pão e vinho ofertado pelo sacerdote Melquisedec já que a Hóstia Santa é pão que não é pão e vinho que não é vinho embora sendo pão e vinho. Mais do que isso: é corporeidade que vem a nos tocar, um toque suave como o beijo recebido pelos doces lábios da brisa sobre as rosas; é divindade que se faz matéria para que nossa matéria se faça “divina”. É, ainda, Cristo que nos visitou para que nos tornemos Cristo. É, enfim, como disse Frei Gregório, Eucaristia que nos faz eucaristia.