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17 de abril de 2024

Paróquia de Fabriciano celebra São Francisco Xavier

04/12/2020 . Notícias da Diocese

A paróquia de São Francisco Xavier, instalada na Região Pastoral 3 da diocese de Itabira-Coronel Fabriciano, celebrou na noite dessa quinta-feira (3) da primeira semana do Advento, a memória litúrgica do padroeiro paroquial São Francisco Xavier, que é também considerado pela Igreja como “São Paulo do Oriente”.

A Missa festiva presidida pelo pároco e missionário xaveriano, padre Tiago Rodrigues, SX, contou com a participação controlada de fieis no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, localizado no bairro Córrego Alto, em Fabriciano. Os presentes usavam máscaras, fizeram a higienização das mãos com álcool gel, e se sentaram nos bancos respeitando as marcações de distanciamento. Que não pode estar presente, acompanhou a celebração eucarística pela transmissão feita pelas redes sociais da paróquia.

A Missão do Caranguejo

Ao iniciar a homilia, padre Tiago externou o desejo de deixar uma mensagem inspirada em São Francisco Xavier para os devotos presentes no Santuário, para as 20 comunidades da paróquia que acompanhavam a transmissão pelas redes sociais, também para os irmãos de outras denominações religiosas que não professam a fé católica.

Assim, o missionário xaveriano relembrou a “Missão do Caranguejo”:

Reza a lenda, que numa de suas viagens, São Francisco Xavier mergulhara o crucifixo que trazia consigo nas águas agitadas do mar das Molucas, na Índia, tentando assim, aplacar uma feroz tempestade que ameaçava a tripulação do barco onde ele também ele se encontrava.

Para a tristeza de São Francisco, ao realizar tal ato, ou seja, mergulhar o crucifixo que trazia consigo nas águas agitadas do mar, o cordão do crucifixo se rompeu e a cruz se perdeu com a água. Quando desembarcaram na praia de Serã, Xavier permanecia desolado, e estava no poder de seus pertences junto com a equipe na Ilha das Especiarias.

Neste instante, algo inesperado acontece. Um caranguejo gigante saiu do mar, caminhou nas areias da praia em direção a Xavier, e depositou ao pés do jesuíta o crucifixo que trazia atrelado a sua cintura. Um milagre de grande magnitude e digno do Gigante do Oriente.

Romantismo e veracidade à parte, me chama a atenção por um lado a atitude de fé implacável do nosso santo. Por outro, a constatação que do mesmo mar, agitado e ameaçador, ladrão dos bens mais precisos, veio a solução e o remédio para o coração desolado e aflito do insigne “Apóstolo das Índias”.

Neste romantizado episódio da vida de São Francisco Xavier, eu, padre Tiago, vejo uma eloquente metáfora para os sedentos de significados e respostas; para viajadores imersos em águas também turbulentas dos nossos dias. E bota turbulenta nisso! Descompasso nas esferas públicas, cuidados negligenciados à casa comum, e, por fim, ele, o grande vilão de 2020: o coronavírus. Assistimos atônitos, e sob o signo da precariedade, este mal que tem assolado a família humana e ceifado perversamente tantas vidas. Similar é também nossa indignação diante de tantas cenas opacas e insípidas, monocromáticas, pela insensibilidade que é fruto da indiferença.

O problema é mais endêmico. A questão é a tempestade que deixa o mar em fúria, como os relâmpagos, trovões e raios de hoje. Empunhar a cruz de Jesus, não como gesto mágico e supersticioso, mas apontando e apostando na altura da divina humanidade de Cristo e na vivência do Evangelho da Alegria é a resposta que nós, cristãos, podemos oferecer ao mundo cansado e abatido, desbotado e sem brilho. E então teremos, queridos irmãos e irmãs, que, das mesmas águas ameaçadores e nocivas, despontarão o bem mais precioso e revolucionário que trazemos escondido nas potencialidades da nossa existência, animada por um sopor de vida: a fraternidade universal. O mar, burrastoso e tirano das desumanas procelas, atravessado com fé e sabedoria, desenterrará nas praias do novo dia um outro mundo possível. O mesmo mar que roubou o crucifixo de Xavier, agitado pela tempestade, porque ousando na fé trouxe de volta o crucifixo num grande milagre.

Assim, ainda reza a lenda, que São Francisco Xavier abençoara também o caranguejo, após recuperar seu grande tesouro. Desde então, todos os caranguejos daquela espécie – isso, de fato, é verídico – trazem uma cruz na couraça, lembrando constantemente ao mar e as possíveis tempestades, quem é que está no controle; e quem é a última palavra.

Peterson Machado
Pastoral da Comunicação