Entre os dias 4 e 6 de maio de 2026, o clero da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano esteve reunido no Recanto das Mangueiras, em Coronel Fabriciano, para a Formação do Clero do primeiro semestre, tendo como tema central “Inteligência Artificial: implicações pastorais”. A assessoria foi conduzida pelo Prof. Dr. Moisés Sbardelotto, professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais | PUC-MG.
Durante os dias de estudo e reflexão, foram aprofundadas questões ligadas à cultura digital e aos impactos da Inteligência Artificial na vida humana, social, pastoral e eclesial. O assessor destacou que a IA não deve ser compreendida simplesmente como uma “inteligência”, mas como sistemas capazes de correlacionar informações a partir de comandos e dados recebidos.
A formação refletiu sobre a profunda transformação cultural provocada pelas tecnologias digitais. Inspirado nos estudos do sociólogo Manuel Castells, o encontro evidenciou que a passagem da cultura analógica para a cultura digital modificou profundamente as relações sociais, a construção da identidade humana e a maneira como as pessoas pensam, se relacionam e buscam sentido para a vida.
Também foi recordada a expressão do jornalista Rosental Alves, que define o atual cenário comunicacional como a passagem “da era dos meios de massa para a era da massa de meios”, mostrando como cada pessoa, hoje, tornou-se também produtora de conteúdo e agente de comunicação.
Outro ponto importante da formação foi a compreensão de que a Inteligência Artificial é apenas a ponta mais visível de uma longa transformação tecnológica e comunicacional iniciada ainda no século XX. Nesse percurso histórico, foram recordados nomes e marcos importantes, como o padre jesuíta Roberto Busa, considerado pioneiro dos hipertextos ao utilizar recursos computacionais para estudar as obras de Tomás de Aquino; o matemático Alan Turing, cujas pesquisas deram bases para o desenvolvimento da IA; o chatbot ELIZA, criado em 1966; o robô humanoide WABOT-1, desenvolvido no Japão em 1972; além do surgimento da Siri, em 2011, e do ChatGPT, lançado em 2022.
As reflexões também abordaram os impactos existenciais da Inteligência Artificial. Pesquisas recentes apontam que muitas pessoas têm utilizado ferramentas de IA não apenas para produtividade, mas também como forma de companhia, aconselhamento e busca de sentido para a vida. Diante disso, os participantes refletiram sobre os desafios pastorais que emergem na atualidade: como anunciar o Evangelho ao homem contemporâneo? Como a Igreja pode evangelizar em uma sociedade profundamente marcada pela cultura digital?
No último dia do encontro, a formação voltou-se para a reflexão da Igreja sobre o tema, especialmente a partir do documento Antiqua et Nova, que oferece pistas importantes para o discernimento ético e pastoral diante das novas tecnologias.
A formação proporcionou um rico espaço de escuta, partilha e atualização pastoral, ajudando o clero a compreender os desafios e as possibilidades que a cultura digital e a Inteligência Artificial apresentam para a missão evangelizadora da Igreja nos tempos atuais.