A Igreja abre, nos próximos dias, a Semana Santa. E nas celebrações de Domingo de Ramos é realizada a Coleta Nacional da Solidariedade, o gesto concreto da Campanha da Fraternidade. Nascida com o objetivo de promover a fraternidade e sustentar a ação caritativa da Igreja no Brasil, a Campanha convida a transformar a prática da esmola quaresmal em ação concreta para a mudança da realidade social.
Essa proposta está presente no objetivo de todas as Campanhas da Fraternidade para despertar o senso concreto de fraternidade e caridade na comunidade cristã e em toda a comunidade civil.
O arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer, escreveu em artigo publicado no jornal O São Paulo que a oferta ou “gesto concreto de fraternidade”, feito em todas as celebrações católicas do final de semana do Domingo de Ramos, “é mais do que uma esmola ocasional: ele deveria ser a expressão da nossa penitência e conversão quaresmal e da nossa generosa partilha com o próximo”.
E ele exemplifica: “ele poderia representar os cigarros que deixei de fumar como penitência quaresmal; ou a cerveja não tomada; ou algo supérfluo que deixei de comprar; ou aquilo que colocamos de lado ao longo da Quaresma para ser partilhado com o próximo como expressão de nossa penitência e conversão quaresmal”.
A Coleta Nacional da Solidariedade, realizada em todas as capelas, paróquias, santuários, catedrais do pais, convida à generosidade como expressão da esmola quaresmal.
“Sejamos generosos! Convertamos nosso jejum numa esmola que pode fazer a diferença. O nosso jejum, se ele não se converter em bem do próximo, ele é só economia e dieta, mas para que ele seja mesmo jejum, ele precisa se converter em bem do próximo”, exorta o padre Jean Poul Hansen, secretário executivo de Campanhas da CNBB.
Mesmo as pequenas doações, a esmola da viúva, fazem a diferença no conjunto da grande coleta da solidariedade.
“Talvez o meu jejum quaresmal não renda mais que 40, 50 reais. Mas os meus 40, 50 reais, somados aos outros 20, 30, 40, 50 oferecidos em todo o Brasil na Coleta Nacional da Solidariedade podem fazer uma grande diferença para quem sofre. E isso tem sido feito desde a origem da Campanha da Fraternidade”, motiva padre Jean Poul.
Os recursos arrecadados na Coleta Nacional da Solidariedade são destinados a dois fundos de solidariedade, conforme definido pela 36ª Assembleia Geral da CNBB, em 1998. O Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) fica com a maior parte dos valores: 60%. Os outros 40% são destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), gerido pela CNBB. O objetivo desses dois fundos é promover a sustentação da ação social da Igreja Católica no Brasil.
Em 2025, a Coleta Nacional da Solidariedade arrecadou cerca de R$20 milhões.
Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) são destinados especialmente ao atendimento a projetos sociais em todas as regiões do país. Esses projetos são avaliados e escolhidos a partir do edital publicado nas primeiras semanas da Páscoa com a definição dos eixos, dos aspectos técnicos, administrativos e jurídicos que devem ser obedecidos para a seleção.
Em 2025, o FNS recebeu R$8.268.042,83.
Foram investidos R$7.236.241,90 no apoio a 234 aprovados pelo Conselho Gestor do FNS. Esses projetos beneficiaram diretamente 201.446 pessoas e alcançaram 717.523 de forma indireta.
Saiba mais sobre os projetos apoiados no Portal da Transparência do FNS.
Além do apoio aos projetos sociais, os recursos do FNS são investidos na manutenção do Departamento Social da CNBB, responsável pela seleção dos projetos apresentados; na produção e distribuição de envelopes da CF; na realização do Seminário de Campanhas e na animação da CF nos Regionais; na realização das reuniões do Conselho Gestor do FNS, na promoção da CF e no pagamento de tarifas bancárias.
Luiz Lopes Jr. CNBB