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09 de setembro de 2026

Cardeal Jaime Spengler destaca missão, formação e fraternidade em encontro no Colégio Pio Brasileiro

09/09/2026 . Igreja

O Colégio Pio Brasileiro, em Roma, recebeu um encontro conduzido pelo Cardeal Jaime Spengler, arcebispo metropolitano de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante a reunião, o presidente da CNBB refletiu sobre a missão dos sacerdotes que realizam seus estudos em Roma, ressaltando a importância da formação, da vida comunitária e do compromisso com a Igreja no Brasil.

Ao iniciar sua reflexão, destacou que a experiência de estudar em Roma não deve ser compreendida como uma oportunidade para fazer carreira, mas como um caminho para servir melhor à Igreja. “Não para fazer carreira, não. Mas para servir melhor”, afirmou, ressaltando também os desafios que acompanham a saída da realidade pastoral de origem e a inserção em uma nova comunidade.

Segundo ele, deixar os ambientes conhecidos, os irmãos e a experiência pastoral não é uma tarefa fácil. Para aqueles que já possuem uma experiência pastoral, a adaptação a uma nova realidade comunitária e acadêmica exige disponibilidade e abertura.

O Colégio Pio Brasileiro e sua importância para a Igreja no Brasil

Em outro momento de sua fala, ressaltou a importância do Colégio Pio Brasileiro para a Igreja no Brasil. “Essa casa é um pedaço do Brasil em Roma. Ela é muito importante para a Igreja do Brasil. Dessa casa, de alguma forma, depende o futuro da Igreja do Brasil”, afirmou.

Ao recordar a história da instituição e as mudanças pelas quais passou ao longo dos anos, destacou que a missão do Colégio ultrapassa a dimensão de hospedagem. “O Colégio não é um hotel. Quem vem para cá para morar três, quatro, cinco anos se torna parte da casa”, afirmou.

Para ele, aqueles que vivem no Colégio Pio Brasileiro durante o período de formação passam a fazer parte da própria comunidade. Por isso, a responsabilidade pela casa não é apenas daqueles que exercem funções de direção, mas de todos os seus membros. “A casa é nossa, de cada um de nós”, enfatizou.

Estudo como trabalho e formação permanente

Um dos pontos centrais da reflexão foi a dimensão acadêmica. Chamou a atenção para a necessidade de compreender os estudos não como uma simples ocupação do tempo, mas como verdadeiro trabalho. “Estudo não é passar o tempo, estudo é trabalho”, afirmou.

Reconheceu que essa tarefa pode ser especialmente exigente para quem já possui experiência pastoral e precisa dedicar-se novamente à formação acadêmica. Ao mesmo tempo, destacou que os estudos fazem parte da formação permanente e devem contribuir para o crescimento pessoal e para o serviço à Igreja.

“O trabalho de intelecto é tão exigente ou mais exigente do que o trabalho pastoral”, observou. Nesse sentido, a experiência de estudar em Roma foi apresentada como uma oportunidade de crescimento, mas também como uma responsabilidade pessoal diante da Igreja.

Vida comunitária: cuidar e deixar-se cuidar

Outro aspecto destacado foi a importância da convivência fraterna. Para ele, a vida comunitária exige que cada pessoa aprenda não somente a cuidar dos outros, mas também a deixar-se cuidar. “Nós temos que aprender a nos cuidar, a cuidar uns dos outros e se deixar cuidar uns para os outros”, afirmou.

Nesse sentido, recordou que “depois de Deus, o maior dom são os irmãos”, ressaltando que a fraternidade se concretiza no acompanhamento mútuo, especialmente nos momentos de dificuldade, mas também na capacidade de celebrar juntos e compartilhar os momentos importantes da vida.

Chamou ainda a atenção para o risco de uma autonomia mal compreendida, que pode levar ao isolamento e ao enfraquecimento dos vínculos comunitários. Por isso, destacou que a experiência vivida no Colégio deve ser marcada pela fraternidade, pelo cuidado e pela corresponsabilidade entre seus membros.

A dimensão espiritual da formação

A formação em Roma, conforme destacou, não pode ser reduzida à dimensão acadêmica. A vida espiritual, a direção espiritual e a convivência comunitária também fazem parte desse processo. Nesse caminho, o cuidado pessoal e o cuidado com os outros são fundamentais. A formação integral exige atenção à vida espiritual e à capacidade de permanecer aberto à ação de Deus. A própria celebração litúrgica foi apresentada dentro dessa perspectiva comunitária. Ressaltou que a celebração é essencialmente uma expressão da comunidade e não apenas um ato individual.

Sustentação e futuro do Colégio

Durante a reunião, também foram abordados os desafios relacionados à manutenção e à sustentabilidade do Colégio Pio Brasileiro. Foi recordado que a instituição passou por momentos de dificuldade e que as despesas permanecem significativas mesmo quando a casa está cheia. Nesse contexto, ressaltou a importância da colaboração e do compromisso das Igrejas particulares do Brasil com a manutenção da instituição.

Também foram mencionadas iniciativas de apoio e contribuições destinadas à casa, bem como a necessidade de pensar em mecanismos que possam garantir maior estabilidade para o futuro. Entre as possibilidades apresentadas, destacou-se a criação de uma espécie de fundo destinado à sustentação da instituição.

Segundo a reflexão apresentada, a colaboração daqueles que tiveram a oportunidade de realizar estudos especializados poderia representar um gesto de generosidade e responsabilidade para com o futuro da casa.

Um privilégio que exige responsabilidade

Ao concluir sua reflexão, recordou que estudar em Roma é um privilégio, mas também implica responsabilidade. “Vale a pena. Roma é bom por um tempo, mas não por muito tempo. Certamente um privilégio, mas tem também um preço”, afirmou.

Para ele, a avaliação da experiência acadêmica não deve considerar apenas resultados ou notas, mas também o esforço, a dedicação e a capacidade de cada estudante de superar suas próprias limitações. Destacou que as pessoas possuem diferentes dons e facilidades, e que aquele que alcança determinado resultado com grande esforço também oferece um testemunho importante de perseverança e dedicação.

A reflexão reforçou, assim, que a experiência de formação em Roma deve ser vivida como um tempo de crescimento integral – acadêmico, espiritual, humano e comunitário – sempre tendo em vista o serviço à Igreja. Ao dirigir sua palavra aos membros da comunidade do Colégio Pio Brasileiro, incentivou todos a viverem esse período com responsabilidade, fraternidade e espírito de serviço, reconhecendo a importância da instituição para a formação daqueles que serão chamados a contribuir com a caminhada da Igreja no Brasil.

Pe. Márcio Rodrigo Mota