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01 de setembro de 2026

Dom Wellington Queiroz: “onde uma criança é protegida, aí o Evangelho se torna concreto”

01/09/2026 . Igreja

No início do IV Encontro da Rede Latino-americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado, o bispo de Cristalândia (TO), dom Wellington de Queiroz Vieira, presidente da Comissão para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), aprofundou os obstáculos e desafios para a prevenção dos abusos contra menores e pessoas vulneráveis nas Igreja locais da América Latina e Caribe.

Sua apresentação baseou-se no valor da integridade da pessoa humana cujo cuidado foi refletido pelo Papa Leão XIV na encíclica Magnifica Humanitas. O bispo conectou a ação da Igreja neste tema desde a consciência global até a proposta de proteção incorporada na estrutura eclesial.

“A imagem que deve permanecer conosco é simples e exigente: a dignidade de uma criança ou de uma pessoa vulnerável, na comunidade mais distante do nosso continente, vale mais do que a reputação da nossa destruição”, exortou o bispo, num convite ao testemunho que esta temática convoca toda a Igreja.

“Se a Igreja quer testemunhar a beleza da comunidade habitada por Deus, essa beleza precisa ser visível no modo como tratam os pequenos, os frágeis e os feridos e silenciados.

– Uma Igreja segura não é uma Igreja sem conflitos, é uma Igreja que não tem medo da verdade.
– Uma Igreja segura, não é uma Igreja perfeita, é uma igreja que aprende, corrige, repara previne.
– Uma Igreja segura não é uma Igreja centrada em sua imagem, é uma Igreja centrada nas vítimas, nos pequenos e no Evangelho.

Que cada igreja local da América Latina e do Caribe possa assumir esse compromisso com coragem: proteger antes que o abuso aconteça; escutar quando a dor aparece; agir com a justiça quando há denúncias; reparar quando houver falha; formar continuamente; prestar contas e colocar os vulneráveis no centro. Porque onde uma criança é protegida, aí o Evangelho se torna concreto. Onde uma criança se sente protegida, é protegida, o Evangelho se torna concreto.

Falando não como especialista, mas como alguém que teve de lidar com essa realidade como padre e agora como bispo, dom Wellington recordou a fala de dom Ricardo na acolhida dos participantes, de que a prevenção não é tarefa de pessoa isolada, mas “exige rede, responsabilidade, vigilância, humildade e conversão”. O tema que durante muito tempo foi tratado como pecado individual, passa agora a ser entendido como crime que causa ferida espiritual, trauma psicológico, falta de proteção e abuso de poder.

O bispo situa a prevenção aos abusos nos ambientes da Igreja como parte da missão evangelizadora: “Não há evangelização autêntica sem ambientes seguros”, reforçou.

Em sua apresentação, dom Wellington fez uma fundamentação teológico-pastoral sobre o tema, olhou para a realidade do continente e indicou caminhos possíveis para a promoção da cultura do cuidado.

Ao fundamentar a reflexão na encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, dom Wellington destacou a reflexão do pontífice sobre a dignidade inviolável da pessoa humana, especialmente diante das novas formas de poder, manipulação e vulnerabilidade do mundo contemporâneo.

Ao contemplar a realidade da América Latina e do Caribe, reconheceu ser uma região rica, diversa e profundamente católica, “mas marcada por desigualdades, distâncias, cultura de silêncio, machismo, clericalismo, fragilidades institucionais”.

Em relação aos caminhos que levam a efetivação da cultura do cuidado, dom Welligton destacou: cultura de proteção, protocolos aplicados, canais de escuta, formação permanente, prevenção digital, governança, participação de leigos e mulheres, escuta das vítimas e trabalho em rede.

O encontro seguiu com rodas de conversa por regiões e partilhas de experiências. Agora à tarde, a programação segue com uma exposição com o tema “Abusos em ambientes digitais”. No final do dia, nova rodada de partilha de experiências de sub-regiões do continente.

Luiz Lopes Jr | Fotos: Fiama Tonhá
CNBB