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23 de junho de 2024

Dom Marco Aurélio Gubiotti “Pela Graça de Deus” (1 Cor 15,10)
Nasceu no dia 21 de outubro de 1963, em OuroFino/MG, filho de Benedito Gubiotti e Natalina Gubiott.

Cursou filosofia no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre, e a teologia no Instituto Teológico SCJ, em Taubaté (SP).

Exerceu o ministério sagrado nas paróquias:
São Caetano em Brasópolis;
Santo Antônio em Jacutinga; Nossa Senhora Aparecida em Tocos do Moji;
São Sebastião em São Sebastião da Bela Vista e Nossa Senhora de Fátima em Santa Rita do Sapucaí.

Somos chamados à Santidade

01 de agosto de 2018 Palavra do Bispo

Amados irmãos e irmãs, a Igreja nos oferece, todos os anos, no mês de agosto, a oportunidade de refletirmos sobre o chamado de Deus em nossa vida. Neste ano do laicato, somos convidados a refletir a temática “Seguir Jesus a luz da fé”, tendo como lema “Sei em quem acreditei” (2 Tm 2,12). O objetivo principal é levar-nos a rezar, de forma especial, pelas vocações, incentivando as orações e promovendo vocações em cada realidade e da sua maneira. A cada domingo deste mês dedicaremos a uma determinada vocação, a saber: no primeiro, vocação aos ministérios ordenados; no segundo, vocação familiar; no terceiro, vida consagrada e religiosa; no quarto, vocação laical. Assim, toda a Igreja é convidada não apenas a rezar pelas vocações, mas sobretudo, refletir e despertar todos os cristãos batizados para uma cultura vocacional, nosso papel e compromisso com a sociedade. A partir do momento em que tomamos consciência, ela precisa nos levar à ação, vivenciando no dia a dia o chamado que Deus nos faz.

Mas neste mês vocacional, pensando em cada vocação, na sua especificidade que nos leva à perfeição da caridade, que é a essência da vocação universal à santidade, gostaria de refletir um pouco sobre a nova exortação do Papa Francisco, sobre o chamado a sermos santos.

A nova exortação apostólica do Papa Francisco Gaudete et Exsultate, Alegrai-vos e Exultai, nos apresenta uma rica reflexão sobre o chamado à santidade no mundo atual. Mostra-nos que o Senhor nos escolheu e por isso também nos chamou para sermos santos e íntegros diante dele, no amor. Esta é a terceira exortação apostólica do Papa Francisco e marca o quinto aniversário do seu Pontificado. Sob muitos aspectos, esta exortação pode ser considerada uma revisão dos principais temas e preocupações de seu magistério papal.

Um ponto de partida sugestivo para uma boa compreensão desta importante exortação apostólica é o quinto e último dos cinco capítulos: “Combate espiritual, vigilância, discernimento”. Esta é a situação concreta em que todos nós nos encontramos. O Papa Francisco não se esquiva do que tem de ser dito: “A vida cristã é uma luta permanente” (nº 158).

O objetivo desta exortação é encorajar-nos e guiar-nos na jornada árdua, porém alegre, de crescimento em direção à maturidade espiritual no Senhor, ao crescimento na santidade.

Em um maravilhoso parágrafo no início do documento, o Papa esclarece a natureza crística da santidade e assim mostra-nos como que os santos nos encorajam e nos acompanham nesta nossa busca, mantendo conosco laços de amor e comunhão. Os santos, amigos de Deus, nos diz o Santo Padre, nos guia até Ele. “No fundo, a santidade é viver em união com Ele os mistérios da sua vida; consiste em associar-se duma maneira única e pessoal à morte e ressurreição do Senhor, em morrer e ressuscitar continuamente com Ele. (…) A contemplação destes mistérios, como propunha Santo Inácio de Loyola, leva-nos a encarná-los nas nossas opções e atitudes” (nº 20).

Os cristãos inevitavelmente enfrentam dois caminhos, continua o Papa: o de Cristo, cuja aparente escuridão é um prelúdio para a luz eterna, e o do inimigo, cuja falsa luz só leva à escuridão e ao desespero. E não escolhemos de forma definitiva, pois é preciso renovar-se e comprometer-se diariamente. Portanto, há uma necessidade urgente de discernimento.

O Papa Francisco fala da alegria de ver a santidade no povo paciente de Deus, naqueles que trabalham e lutam diariamente para cuidar de sua família, viver com dignidade. A estes o Papa diz serem reflexos da presença de Deus no mundo atual, pois todos somos chamados a santidade, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações diárias. Assim, em pequenos gestos, vai crescendo a nossa santidade.

Quanta sabedoria o Santo Padre expressa nesta exortação! Ensina-nos que:para que sejamos santos é preciso deixar-nos guiar pelo Espírito Santo, sem medo, pois o Espírito realiza o encontro da nossa fragilidade com a força da graça divina.

A busca pela santidade passa pela oração e vivência da fé, pessoal e comunitária, pois a oração manifesta a nossa necessidade de comunicarmos com Deus, mesmo em meio à alegrias e esperanças, tristezas e angústias. A oração é uma resposta do coração que se abre a Deus para escutar sua suave voz que ressoa no silêncio. Para Santa Teresa de Ávila, a oração é “uma relação íntima de amizade, permanecendo muitas vezes a sós com quem sabemos que nos ama”. A busca da santidade ao mesmo passo que é pessoal, também é um caminho comunitário.

O Para Francisco não poderia concluir este belíssimo texto sem apresentar aquela que é para todos nós modelo dos servidores do Evangelho: Maria Santíssima. Ela, com sua missão maternal, nos mostra o caminho da santidade e não somente, ela nos acompanha. Ela, aberta à ação do Espírito Santo, se tornou plena deste mesmo Espírito e fez, em tudo, a vontade do Pai. Ela foi chamada a alegria: “alegra-te Cheia de Graça” (Lc 1,28). Com muita confiança ela exclamou: “a minh’alma engrandece o Senhor” (Lc 1,46)!

O Santo Padre nos diz que o caminho para sermos bons cristãos é a vivência das bem-aventuranças, pois só podemos viver se o Espírito Santo nos permear com toda a sua força e nos libertar da fraqueza do egoísmo, da preguiça e do orgulho.

Caros irmãos e irmãs, diletos diocesanos, nos alegramos e exultamos porque nos foi dado de beber dessa fonte de vida e ansiamos por beber ainda mais plenamente, para avançar no caminho de Cristo, o Santo que nos chama à santidade.

+ Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano
“Pela Graça de Deus” (1Cor 15,10)

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