No último sábado, a Paróquia Santo Antônio, na Comunidade Bom Pastor, em Coronel Fabriciano, recebeu comunicadores do Regional 3 da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano para um encontro de formação, espiritualidade e partilha sobre a missão da Pastoral da Comunicação (Pascom).
O encontro teve início com a apresentação e acolhida dos coordenadores da Pascom, José Aparecido e Patrícia Duarte, que receberam os participantes e destacaram a importância da formação e da unidade entre os comunicadores das comunidades e paróquias.
A primeira formação foi conduzida pelo Padre William Fernandes, que abordou o tema “A espiritualidade do comunicador”. A reflexão destacou que a espiritualidade é um dos eixos que sustentam a ação evangelizadora e que a atuação do comunicador da Pascom não pode estar dissociada da experiência concreta de fé.
Como apresentado durante a formação, “sem a prática e a vivência da espiritualidade, o comunicador esvazia-se, fragiliza-se como sujeito e torna-se vulnerável às dificuldades que se apresentam ao longo do caminho”, conforme o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, n. 253.
Padre William também chamou a atenção para um desafio presente na atuação dos comunicadores: o risco de dedicar mais atenção às ferramentas e às tecnologias do que à própria vivência da fé. Muitas vezes, a preocupação com o que publicar pode ocupar o espaço que deveria ser destinado ao modo de viver, de se comportar e de testemunhar a fé.
Nesse sentido, destacou que a espiritualidade não está na tecnologia. A tecnologia oferece meios, ambientes e instrumentos para que o comunicador expresse sua espiritualidade, seu modo de viver, de crer e de perceber Deus. Por isso, “a espiritualidade da comunicação se apresenta, assim, como um desafio cada vez mais profundo para os comunicadores neste século, especialmente diante de uma realidade em que as pessoas podem estar mais atentas às tecnologias do que à vivência concreta, pessoal e humana da fé”, afirmou o sacerdote.
A reflexão também ressaltou que a espiritualidade da comunicação é trinitária, alimentada pelo cultivo do encontro e da comunhão com a Trindade. Deus Pai é apresentado como Criador, Jesus Cristo como comunicador do Pai e o Espírito Santo como aquele que fecunda toda a ação criadora e comunicativa.
Na sequência, a jornalista Nádia Duarte conduziu a segunda formação, com o tema “Identidade e missão do comunicador da Pascom”. A palestra refletiu sobre quem é o comunicador católico, sua identidade, sua responsabilidade e, sobretudo, sua missão dentro da Igreja.
Durante a formação, a jornalista apresentou São João Batista como uma das grandes referências para o comunicador católico. A partir da passagem do Evangelho de João, “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30), a reflexão destacou que o comunicador da Igreja não é o protagonista da mensagem. Ele é instrumento para que Cristo seja conhecido e anunciado.
Nesse sentido, o trabalho do comunicador pode aparecer, mas Cristo é quem deve aparecer através dele. O comunicador católico não busca ser visto; busca fazer Cristo ser visto.
A partir dessa perspectiva, Nádia chamou a atenção para alguns cuidados necessários na atuação do comunicador, como a vaidade, a necessidade de reconhecimento, a preocupação excessiva com números e curtidas, a disputa por protagonismo e a comparação entre pastorais. Também ressaltou a importância de aprender a fazer algo para Deus mesmo quando ninguém percebe ou reconhece o trabalho realizado.
A formação destacou, ainda, que o comunicador da Pascom é chamado a compreender a comunicação como serviço, colocando seus conhecimentos, talentos e ferramentas à disposição da evangelização e da construção da comunidade. Mais do que produzir conteúdos, fotografar, gravar ou administrar redes sociais, o comunicador é chamado a comunicar a vida da Igreja a partir de uma identidade cristã e de uma missão evangelizadora.
O encontro proporcionou aos participantes um momento de aprendizado, reflexão e fortalecimento da caminhada da Pascom no Regional 3. As formações reforçaram que a técnica e a tecnologia são importantes, mas precisam estar a serviço de uma comunicação que nasce da espiritualidade, da identidade cristã e do compromisso com a missão evangelizadora da Igreja.