Querido pai, pastor, mestre e irmão no presbitério!
Ontem tive a oportunidade de expressar, ainda que brevemente, a alegria de recordar tantos feitos marcantes de seu ministério episcopal em nosso meio. Hoje, ao retomar essas lembranças, meu coração se enche novamente de gratidão por tudo o que o Senhor realizou através de sua vida e de seu pastoreio entre nós, escrevi para tentar não chorar, mas saiba que esses dias não têm sido fáceis para nós.
Representando todos os padres, as pastorais, os movimentos, os serviços e todo o povo fiel de nossa Diocese, unimo-nos como Igreja, em espírito de comunhão e gratidão, para manifestar nosso reconhecimento sincero e nossa gratidão fraterna por sua presença de pastor entre nós, por sua dedicação incansável e pelo amor generoso com que conduziu nossa Igreja Particular ao longo destes anos.
Nomeado por Sua Santidade o Papa Bento XVI, o senhor acolheu com generosidade a missão de ser o 5º Bispo desta Igreja Particular, em um momento singular da vida da Igreja, marcado inclusive pela renúncia do próprio Papa Bento XVI. Em meio a esse tempo histórico, o senhor assumiu com fé e serenidade a responsabilidade que lhe foi confiada, tornando-se presença de pastor próximo, atento e profundamente comprometido com a vida do povo de Deus. Recordo que o senhor no COPADI dizia para nós que iria conosco aprender a ser bispo.
Recordo sua simplicidade, sua proximidade e seu jeito sereno de nos conduzir, traços que evocam o testemunho do nosso saudoso Papa Francisco, no qual, com toda verdade, reconhecemos uma inspiração clara em seu modo de ser pastor. Assim como ele, o senhor nos ensinou que a autoridade na Igreja se vive como serviço, que o pastoreio se faz com presença e que o coração do bispo deve ter o cheiro das ovelhas.
O senhor sempre expressou sua autoridade episcopal não apenas como quem governa, mas como pai e mestre que forma, orienta e, quando necessário, corrige com caridade e firmeza evangélica, algumas vezem, bem bravo. Seu modo de conduzir a Diocese revelou equilíbrio entre prudência e proximidade, exercendo o governo pastoral com responsabilidade e profundo sentido de comunhão. Por meio das formações, orientações e correções fraternas, iluminou caminhos, fortaleceu lideranças e preservou a unidade, demonstrando que a verdadeira autoridade na Igreja se consolida pelo testemunho, pela coerência de vida e pelo serviço generoso ao Povo de Deus.
Sua humildade no trato, sua escuta atenta e seu olhar compassivo marcaram profundamente nossa Diocese. Mais do que obras e realizações — que são muitas — permanece entre nós o testemunho de um pastor que caminhou conosco, que partilhou nossas alegrias e dores e que nunca deixou de apontar para Cristo como centro de tudo. Destaca-se, de modo especial, seu acolhimento generoso, expresso nos inúmeros atendimentos individuais aos clérigos e ao povo de Deus, sempre disposto a ouvir, orientar e acompanhar. Seu constante atendimento, inclusive por telefone, revelou um coração disponível, próximo e verdadeiramente paterno, que nunca se fechou às necessidades dos clérigos que buscavam constantemente.
Ao longo desses anos, seu pastoreio foi marcado por ações concretas que fortaleceram a estrutura e a espiritualidade diocesana. Com sua chegada a diocese, a celebração do Jubileu de 50 anos da Diocese, e, recentemente, a vivência do Jubileu de 60 anos aprofundou ainda mais o espírito de comunhão, gratidão e compromisso evangelizador desta Igreja Particular, a criação de novas paróquias ampliou a presença evangelizadora nas comunidades; a instalação do Tribunal Eclesiástico Diocesano trouxe maior cuidado pastoral às necessidades dos fiéis. Sinais visíveis de um fecundo pastoreio.
A ordenação dos diáconos permanentes, padres diocesanos e religiosos, representou um passo histórico na organização ministerial da Diocese, o lançamento do Brasão de Armas reafirmou a identidade e a missão evangelizadora de nossa diocese.
Com dedicação e espírito de comunhão, promoveu Assembleias Diocesanas de Pastoral, incentivando o planejamento, a escuta e a corresponsabilidade. Acompanhou de perto as posses de párocos, fortaleceu as pastorais, os movimentos e os serviços, incentivou a formação bíblica e catequética em todas as suas dimensões e etapas, e manteve constante proximidade com as comunidades e as pastorais sociais, especialmente nos momentos de dor e desafio social vividos pelas famílias de nossa diocese. Promoveu iniciativas como a Romaria das Águas e da Terra, sinal de esperança e compromisso com a vida e com a Casa Comum, e fortaleceu campanhas de ajuda aos mais necessitados, particularmente diante das calamidades naturais e das dificuldades sociais que atingiram nosso povo, junto a Cáritas Diocesana.
Seu cuidado paterno manifestou-se também no amor ao presbitério, especialmente com a criação e inauguração da Casa Sacerdotal Padre José Miranda, gesto concreto de atenção e reconhecimento aos sacerdotes, promovendo dignidade, acolhimento e fraternidade.
Notavelmente, percebemos seu empenho na formação das novas gerações de presbíteros no Seminário Diocesano São José. Sempre presente nas celebrações, nas admissões às Ordens Sacras, nas instituições dos ministérios e nas ordenações diaconais e presbiterais, o senhor demonstrou constante cuidado com o discernimento, a maturidade espiritual e a solidez formativa daqueles que se preparam para servir ao Povo de Deus.
O senhor sempre foi zeloso para com as vocações, e seu compromisso constante buscou garantir uma formação sólida, humana, espiritual e pastoral. Seu acompanhamento próximo aos seminaristas, à equipe formadora e às famílias revela o coração de um bispo que compreende que o futuro da Diocese passa pelo cuidado atento, responsável e amoroso com aqueles que o Senhor chama ao ministério ordenado.
Hoje, ao recordarmos sua caminhada entre nós e diante de sua nova missão como Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, rendemos graças a Deus por tudo o que foi semeado com fé, prudência e amor. Que o Senhor, Bom Pastor, recompense abundantemente todo o bem realizado; que o Espírito Santo continue iluminando seus passos; e que Maria Santíssima o acompanhe sempre. E afirmo com toda convicção, o senhor se tornou um grande Bispo.
Nosso lema presbiteral nos recorda que é necessário que Cristo cresça e que, como João, diminuamos. Ser grande, não é contradição ao lema, mas confirma que Deus cresceu no senhor e o senhor conseguiu fazê-lo presente na vida de todos nós. Em cada decisão, em cada gesto de proximidade, em cada formação, em cada correção fraterna e em cada ato de governo pastoral, percebemos o esforço sincero de fazer Cristo crescer no coração do povo e na vida da Diocese, enquanto o senhor, com humildade evangélica, colocava-se sempre como servidor.
Para concluir, seu lema episcopal é a chave que o mantém de pé: “Pela graça de Deus.” É essa certeza que sustentou sua caminhada, iluminou suas decisões e fortaleceu seu ministério entre nós. Reconhecemos que tudo foi realizado não por méritos humanos, mas pela ação da graça que conduz, sustenta e fecunda a missão. Que essa mesma graça continue sendo seu amparo, sua força e sua esperança em cada novo passo na Arquidiocese de Juiz de Fora.
Com profundo carinho e comunhão fraterna, de todos os padres e membros das pastorais, movimentos e serviços.
Muito obrigado, Dom Marco, por sua entrega generosa e por seu pastoreio fiel entre nós.
Deus te abençoe!
Pe. Márcio Rodrigo Mota
Coordenador Diocesano de Pastoral