Palavra do Bispo

Solidariedade e Defesa da Vida

“Como profetas da vida, queremos insistir que, nas intervenções sobre os recursos naturais, não predominem os interesses de grupos econômicos que arrasam irracionalmente as fontes da vida.” (Documento de Aparecida, 471)

“Entretanto, ele assumiu as nossas fraquezas, e as nossas dores, ele as suportou”(Is 53, 4a). O Profeta Isaías nos fala que, Deus Pai Criador, em Jesus, assumiu nossos sofrimentos, nossas dores. Por sua vez, Jesus nos mostra o caminho da solidariedade como modo de enfrentamento fraterno das “tristezas e angústias” dos irmãos que sofrem. Por isso, nós, cristãos batizados, temos a missão de compadecer das dores e sofrimentos das vítimas do rompimento da barragem de rejeitos de minérios em Brumadinho – MG. Com este sentimento expresso minha manifestação de solidariedade às vítimas, seus familiares e amigos e, ao mesmo tempo, de consternação pelo ocorrido em Brumadinho.

Lembremos os fatos ocorridos apenas três anos atrás, em Mariana: o rastro de destruição socioambiental provocado pela Mineradora Samarco (de participação societária da empresa Vale S/A), no dia 5 de novembro de 2015. As 19 vítimas fatais de Bento Rodrigues, e o desastre ambiental em toda a Bacia do Rio Doce, não foram suficientes para que medidas preventivas fossem tomadas a fim de que evento tão nocivo não se repetisse. No entanto, nos deparamos com mais um crime sócio ambiental, que novamente destrói o meio ambiente e ceifa brutalmente um número bem maior de vidas. É inaceitável que os poderes públicos, nos âmbitos Estadual e Federal, se omitam de tomar todas medidas para que os desastres de Mariana e Brumadinho não se repitam jamais. Como garantir aos moradores dos municípios que também têm represas de rejeitos de minério que não serão as próximas vítimas? É importante lembrar que, dentre estes estão Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo e Rio Piracicaba, municípios do território da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano.

Nossa missão é assumir o compromisso de escutar o clamor da irmã Terra, que oprimida e devastada, “geme e sofre as dores do parto” (Rm 8,22). Este é o clamor dos irmãos e irmãs vítimas dos desastres em Mariana e em Brumadinho, atingidos pelo sistema de morte e por este modelo econômico de ganância, que não tem comprometimento com a vida humana, e causa os maiores impactos ambientais negativos. O Papa Francisco, em sua Encíclica Laudato Si, diz: “muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas” (LS 14). Não podemos nos omitir frente a esta situação. As autoridades civis, desde o nível municipal, as entidades representativas da sociedade e até todos e cada um dos cidadãos, de modo individual, precisamos unir esforços para que se crie um novo modelo econômico, sustentável, com uma política ambiental comprometida com a vida, não somente visando o lucro e também uma nova legislação que garanta com máxima segurança que desastres como os citados não se repitam.

Que a Virgem Maria, Nossa Senhora Aparecida, padroeira de nossa Diocese, interceda por todos nós, diante de seu Filho, Jesus Cristo, para que em todos cresça cada vez mais o compromisso de cuidar de Nossa Casa Comum.

+ Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano
“Pela Graça de Deus” (1Cor 15,10)

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

Dom Marco Aurélio

É o atual Bispo da Diocese, sua ordenação episcopal aconteceu no dia 26 de maio de 2013. Foi nomeado Bispo da Diocese por sua Santidade Bento XVI, hoje Papa Emérito, no dia 21 de fevereiro de 2013, tomando posse no mesmo ano, na Festa da Diocese, em Itabira - MG.

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