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18 de setembro de 2020

Dom Marco Aurélio Gubiotti “Pela Graça de Deus” (1 Cor 15,10)
Nasceu no dia 21 de outubro de 1963, em OuroFino/MG, filho de Benedito Gubiotti e Natalina Gubiott.

Cursou filosofia no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre, e a teologia no Instituto Teológico SCJ, em Taubaté (SP).

Exerceu o ministério sagrado nas paróquias:
São Caetano em Brasópolis;
Santo Antônio em Jacutinga; Nossa Senhora Aparecida em Tocos do Moji;
São Sebastião em São Sebastião da Bela Vista e Nossa Senhora de Fátima em Santa Rita do Sapucaí.

Bíblia: Palavra de Deus semeada

09 de setembro de 2020 Palavra do Bispo

Amados irmãos e irmãs, estamos no mês da Bíblia. Ela é para nós muito mais do que um simples livro. Nela contém a história do Povo de Deus e como Deus agiu em seu favor. Trata-se de uma história de amor, da lealdade de Deus para com o povo que ele escolheu.

A Sagrada Escritura é o caminho admirável para encontrarmos com o Senhor. Renovar o interesse pela Palavra de Deus é uma das metas das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o quadriênio 2019-2023, e também compromisso da nossa Igreja Diocesana conforme nosso novo Plano de Ação Pastoral. Elas propõem ações e iniciativas concretas para que a Sagrada Escritura “se torne sempre fonte inspiradora de oração comum, de fraternidade e de conversão” (n. 149).

A Palavra de Deus tem uma casa, a Igreja, lugar e meio através do qual se apresenta à humanidade e na qual se inserem outras Igrejas e comunidades cristãs, que veneram e amam a Palavra divina. Mas a casa da Palavra de Deus também é o nosso coração, a morada por excelência. É a nós que ele se dirige quando nos fala nas Escrituras. Como tal semente, a Palavra é lançada no meio de nós.

Na nossa ação pastoral e evangelizadora, a Palavra de Deus sempre deve ser a centralidade. Nossa ação evangelizadora perderia sua identidade se a Palavra de Deus não estivesse continuamente sendo anunciada mediante a sua proclamação na liturgia, catequese, leitura orante, Grupos Bíblicos de Reflexão, entre outros. Tais meios conduzem ao encontro com o Cristo, Palavra do Deus vivo através da meditação, oração e contemplação. Deste modo, nossas comunidades paroquiais e religiosas, nossas pastorais e diversos movimentos eclesiais, nossas famílias e as Novas Fundações poderão experimentar a condescendência amorosa de Deus Pai que, mediante a Sagrada Escritura, manifesta a natureza de seu Filho unigênito e o seu desígnio de salvação para cada pessoa.

Nota-se que, em nossas comunidades, já há uma grande valorização da Palavra de Deus.
Contudo há ainda numerosos fiéis que não têm a Bíblia em seus lares, ou se têm, não fazem o devido uso dela. Convém recordar a frase de São Jerônimo: “Ignorar as Sagradas Escrituras, com efeito, significa ignorar Cristo”. Nossa missão de trabalhar para que a Escritura Sagrada seja compreendida e acolhida na plenitude de sua verdade é árdua, porém soam em nossos ouvidos as palavras de São Paulo: “Anunciar o evangelho… é uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não evangelizar” (cf. 1Cor 9,16).

O Mês da Bíblia deste ano nos faz olhar para a realidade eclesial e social e está em sintonia com vários eventos e situações. O lema: “Abre tua mão para o teu irmão” (Dt 15,11), nos leva, sobretudo neste tempo de pandemia, a estendermos nossas mãos para os que mais sofrem, de tal modo que na travessia do mar bravio ninguém fique para trás.

O Deuteronômio, livro escolhido para o mês da Bíblia deste ano, é o último livro do Pentateuco e se apresenta como pausa entre a chegada do povo à Moab, fronteira da Terra Prometida, e conquista da terra. Nele, temos quatro discursos de Moisés, que fazem uma retrospectiva da história vivida, da libertação do Egito, da travessia no deserto, momentos que revelam a fidelidade de Deus, mas também a infidelidade do povo.

A palavra Deuteronômio vem da língua grega e significa “Segunda Lei”: deutero (segunda), nomos (lei). Trata-se da segunda apresentação da Lei de Deus ao povo, feita por Moisés, no fim dos 40 anos de travessia pelo deserto (Dt 1,1-5; 4,46).

O convite deste Mês da Bíblia para todos nós é uma reflexão profunda contemporânea tal qual antigamente, como aquele povo que vivia essa experiência de relação, de intimidade com Deus, também tinha um convite para a relação, para a intimidade com o outro, a vivência de uma fraternidade. Ainda mais nestes tempos de pandemia, onde estamos privados de tantas coisas, do abraço e do aperto de mão, mas não estamos privados de abrir a nossa mão, para ajudar o outro, para viver esse projeto de fraternidade que Jesus instaurou entre nós.

Que durante este Mês da Bíblia inspirado no Livro do Deuteronômio “Abre tua mão para o teu irmão” (Dt 15,11), “Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Dt 6,4), possamos vivenciar de forma profunda e mergulhar naquilo que é a catequese do livro, que com certeza irá nos inspirar e nos ajudar muito na vivência da Palavra de Deus no nosso cotidiano.

Amados irmãos e irmãs, a Palavra de Deus nos educa na fé, nos forma discípulos apaixonados por Jesus Cristo, nos leva a celebrar a esperança na liturgia, que dispõe para plena comunhão com Deus, que se realiza na Eucaristia, e enfim, fortalece-nos na missão de anunciar a Palavra a todos. Por isso, deixemo-nos cativar pela Palavra. Ela faz arder nossos corações, abrir nossas mãos e nos capacita para a missão.

Que Maria, a Senhora Aparecida, nossa mãe e padroeira, modelo perfeito de acolhida e de seguimento da Palavra nos acompanhe na escuta orante e na dedicação generosa ao anúncio da Palavra, a partir do testemunho da nossa vida.

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano
“Pela Graça de Deus” (1Cor 15,10)

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