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23 de junho de 2021

Durante Romaria, dom Walmor defende nova lógica para tratar a casa comum

07/06/2021 . Igreja

“O Senhor está advertindo os discípulos que a lógica que tem que presidir as ações entre as pessoas e o tratamento da casa comum tem um nome: a lógica do amor”. No centro da homilia do arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, no último sábado, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, a chamada para uma nova lógica na relação com a criação, a casa comum.

Durante a 2ª Romaria Arquidiocesana pela Ecologia Integral, no Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, dom Walmor destacou três razões pelas quais a iniciativa é realizada e ressaltou a “lógica do amor”, a partir dos textos bíblicos da liturgia de sábado. Esta tem que estar sempre na contramão da lógica do lucro, segundo o arcebispo: “Estar na contramão do poder que domina, na contramão da lógica que não preserva a vida e a casa comum”.

Para o presidente da CNBB, é preciso trabalhar efetivamente, politicamente, legislativamente, evangelicamente, por uma nova lógica. Caso contrário, “nós continuaremos a pagar preços altos e vergonhosos como estamos pagando”, a exemplo do contexto da pandemia da covid-19, “com tantas famílias enlutadas, com tantos mortos”. Dom Walmor ainda citou o desrespeito aos quilombolas e aos indígenas diante desse “caminho na perspectiva tão simplesmente do lucro, de fazer com que o dinheiro mande e determine a lógica do nosso viver”.

Foto: arquidiocese de Belo Horizonte

Dom Walmor rogou a Deus para que “nos ajude a compreender que temos um longo e novo caminho, aprendendo uma nova lógica”. Porque a lógica de quem preside, continuou, “a cabeça de quem dirige, a cabeça de quem serve, a cabeça nossa como cidadãos e cidadãs precisa de grandes e profundas reformulações, numa sensibilização nova que nos ajude exatamente a fazer um novo caminho”.

Três razões

Segundo dom Walmor Oliveira, a arquidiocese de Belo Horizonte realiza a Romaria pela Ecologia Integral ao menos por três razões importantes: para fortalecer o grito profético como igreja e como sociedade em defesa da casa comum e por um novo modo de trata-la; para a escuta dos mais pobres e sofredores, numa sensibilização nova para um novo tempo e uma nova compreensão; e para que, da parte da Igreja, seja “um grande testemunho de fé como louvor e reconhecimento aos dons que Deus nos quer dar”.

Grito profético

Ao alerta a sociedade para uma nova forma de relacionar-se com o meio ambiente, a Igreja espera que a Câmara dos Deputados siga o exemplo do Senado Federal, que aprovou o Junho Verde, “para se investir de maneira mais forte na educação ambiental, de maneira mais ampla, mais decisiva, porque é urgente. Estamos aqui para que este grito profético nosso seja mais forte”, segundo dom Walmor.

Escuta

A escuta dos pobres e sofredores deve ser uma sensibilização nova para um novo tempo e uma nova compreensão, salientou dom Walmor. “Uma nova compreensão que precisa incidir, sobretudo, nas legislações. Envergonha-nos e preocupa-nos quando a própria Câmara discute modos de relativização e de relaxamento dos licenciamentos ambientais”, denunciou.

Testemunho

Celebrada no alto da Serra da Piedade, na área onde está sendo construída a Estação da Locomotiva da Piedade, a celebração foi momento também de ressaltar o testemunho da Igreja na preservação do meio ambiente . Quando inaugurada, a estação ajudará a diminuir o fluxo de veículos que sobem até o alto da montanha. “Realizar aqui na Serra da Piedade esta Romaria demonstra que nós como Igreja não só falamos o que devemos fazer, mas fazemos”, afirmou.

Participaram da celebração e de um momento cultural fiéis, estudiosos, o reitor do Santuário Basílica de Nossa Senhora da Piedade, bispos auxiliares da arquidiocese e o arcebispo-bispo de Cachoeiro de Itapemirim (ES), dom Luiz Fernando Lisboa.

Foto: arquidiocese de Belo Horizonte (MG)
Com informações e fotos da arquidiocese de Belo Horizonte

CNBB