Palavra do Bispo

Somos chamados à Santidade

Amados irmãos e irmãs, a Igreja nos oferece, todos os anos, no mês de agosto, a oportunidade de refletirmos sobre o chamado de Deus em nossa vida. Neste ano do laicato, somos convidados a refletir a temática “Seguir Jesus a luz da fé”, tendo como lema “Sei em quem acreditei” (2 Tm 2,12). O objetivo principal é levar-nos a rezar, de forma especial, pelas vocações, incentivando as orações e promovendo vocações em cada realidade e da sua maneira. A cada domingo deste mês dedicaremos a uma determinada vocação, a saber: no primeiro, vocação aos ministérios ordenados; no segundo, vocação familiar; no terceiro, vida consagrada e religiosa; no quarto, vocação laical. Assim, toda a Igreja é convidada não apenas a rezar pelas vocações, mas sobretudo, refletir e despertar todos os cristãos batizados para uma cultura vocacional, nosso papel e compromisso com a sociedade. A partir do momento em que tomamos consciência, ela precisa nos levar à ação, vivenciando no dia a dia o chamado que Deus nos faz.

Mas neste mês vocacional, pensando em cada vocação, na sua especificidade que nos leva à perfeição da caridade, que é a essência da vocação universal à santidade, gostaria de refletir um pouco sobre a nova exortação do Papa Francisco, sobre o chamado a sermos santos.

A nova exortação apostólica do Papa Francisco Gaudete et Exsultate, Alegrai-vos e Exultai, nos apresenta uma rica reflexão sobre o chamado à santidade no mundo atual. Mostra-nos que o Senhor nos escolheu e por isso também nos chamou para sermos santos e íntegros diante dele, no amor. Esta é a terceira exortação apostólica do Papa Francisco e marca o quinto aniversário do seu Pontificado. Sob muitos aspectos, esta exortação pode ser considerada uma revisão dos principais temas e preocupações de seu magistério papal.

Um ponto de partida sugestivo para uma boa compreensão desta importante exortação apostólica é o quinto e último dos cinco capítulos: “Combate espiritual, vigilância, discernimento”. Esta é a situação concreta em que todos nós nos encontramos. O Papa Francisco não se esquiva do que tem de ser dito: “A vida cristã é uma luta permanente” (nº 158).

O objetivo desta exortação é encorajar-nos e guiar-nos na jornada árdua, porém alegre, de crescimento em direção à maturidade espiritual no Senhor, ao crescimento na santidade.

Em um maravilhoso parágrafo no início do documento, o Papa esclarece a natureza crística da santidade e assim mostra-nos como que os santos nos encorajam e nos acompanham nesta nossa busca, mantendo conosco laços de amor e comunhão. Os santos, amigos de Deus, nos diz o Santo Padre, nos guia até Ele. “No fundo, a santidade é viver em união com Ele os mistérios da sua vida; consiste em associar-se duma maneira única e pessoal à morte e ressurreição do Senhor, em morrer e ressuscitar continuamente com Ele. (…) A contemplação destes mistérios, como propunha Santo Inácio de Loyola, leva-nos a encarná-los nas nossas opções e atitudes” (nº 20).

Os cristãos inevitavelmente enfrentam dois caminhos, continua o Papa: o de Cristo, cuja aparente escuridão é um prelúdio para a luz eterna, e o do inimigo, cuja falsa luz só leva à escuridão e ao desespero. E não escolhemos de forma definitiva, pois é preciso renovar-se e comprometer-se diariamente. Portanto, há uma necessidade urgente de discernimento.

O Papa Francisco fala da alegria de ver a santidade no povo paciente de Deus, naqueles que trabalham e lutam diariamente para cuidar de sua família, viver com dignidade. A estes o Papa diz serem reflexos da presença de Deus no mundo atual, pois todos somos chamados a santidade, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações diárias. Assim, em pequenos gestos, vai crescendo a nossa santidade.

Quanta sabedoria o Santo Padre expressa nesta exortação! Ensina-nos que:para que sejamos santos é preciso deixar-nos guiar pelo Espírito Santo, sem medo, pois o Espírito realiza o encontro da nossa fragilidade com a força da graça divina.

A busca pela santidade passa pela oração e vivência da fé, pessoal e comunitária, pois a oração manifesta a nossa necessidade de comunicarmos com Deus, mesmo em meio à alegrias e esperanças, tristezas e angústias. A oração é uma resposta do coração que se abre a Deus para escutar sua suave voz que ressoa no silêncio. Para Santa Teresa de Ávila, a oração é “uma relação íntima de amizade, permanecendo muitas vezes a sós com quem sabemos que nos ama”. A busca da santidade ao mesmo passo que é pessoal, também é um caminho comunitário.

O Para Francisco não poderia concluir este belíssimo texto sem apresentar aquela que é para todos nós modelo dos servidores do Evangelho: Maria Santíssima. Ela, com sua missão maternal, nos mostra o caminho da santidade e não somente, ela nos acompanha. Ela, aberta à ação do Espírito Santo, se tornou plena deste mesmo Espírito e fez, em tudo, a vontade do Pai. Ela foi chamada a alegria: “alegra-te Cheia de Graça” (Lc 1,28). Com muita confiança ela exclamou: “a minh’alma engrandece o Senhor” (Lc 1,46)!

O Santo Padre nos diz que o caminho para sermos bons cristãos é a vivência das bem-aventuranças, pois só podemos viver se o Espírito Santo nos permear com toda a sua força e nos libertar da fraqueza do egoísmo, da preguiça e do orgulho.

Caros irmãos e irmãs, diletos diocesanos, nos alegramos e exultamos porque nos foi dado de beber dessa fonte de vida e ansiamos por beber ainda mais plenamente, para avançar no caminho de Cristo, o Santo que nos chama à santidade.

+ Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano
“Pela Graça de Deus” (1Cor 15,10)

Dom Marco Aurélio

É o atual Bispo da Diocese, sua ordenação episcopal aconteceu no dia 26 de maio de 2013. Foi nomeado Bispo da Diocese por sua Santidade Bento XVI, hoje Papa Emérito, no dia 21 de fevereiro de 2013, tomando posse no mesmo ano, na Festa da Diocese, em Itabira - MG.

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