Artigos de Formação

Páscoa: renovar a opção pelos pobres

Tiago Anildo Pereira
Procurador do Estado de Minas Gerais
Professor de Direito Constitucional
[email protected]

Aproxima-se a Páscoa. Páscoa é “passagem”. Somos convidados a passar do egoísmo ao amor, do pecado à vida na graça, do individualismo ao serviço a Deus e aos irmãos.

Na intenção de Deus, a vida prometida em plenitude, deve verificar-se, já agora, como prova de que se realizará um dia. Mas para que isso se dê, cada um deve colaborar.

Deus não quer a miséria, o desemprego, o abandono de crianças, a violência e a vingança.

O compromisso que nasce da fé leva à solidariedade efetiva com os irmãos marginalizados. O importante não é o bem-estar pessoal, mas a capacidade efetiva de fazermos o bem, por amor ao próximo.

O cristianismo é a religião da força do amor, que perdoa, converte, transforma e vivifica o homem. Os textos da Escritura, o magistério da Igreja, desde os primeiros padres até o atual pontífice, ajudam a compreender a obrigação da justiça social na terra e a dimensão presente do Reino de Deus, que inclui o dever de construí-lo na partilha e na solidariedade fraterna.

Estão convocados os cristãos para viver o Evangelho em toda a sua abrangência, com especial atenção às exigências da fraternidade para com os famintos, desempregados, migrantes, doentes e prisioneiros.

Celebrar a Ressurreição de Cristo significa comprometer-se com a vida destes irmãos sofredores.

Em cada criança enferma, em cada idoso débil, em cada migrante desesperado, em cada vida frágil e ameaçada, é Cristo que está à nossa procura (cf. Mt 25, 34-46), está em busca do nosso coração, para nos revelar a alegria do amor[1].

Temos que aprender com Cristo a grande lição de solidariedade com os que sofrem.

Não podemos invocar a Deus como Pai comum de todos se recusamos tratar como irmãos alguns homens criados a sua imagem.

“Onde está o teu irmão? A voz do seu sangue clama até Mim”, diz o Senhor Deus. Esta não é uma pergunta posta a outrem; é uma pergunta posta a mim, a ti, a cada um de nós[2].

Há um critério para saber se Deus está perto de nós ou se está longe: todo aquele que se preocupa com o faminto, com o maltrapilho, o pobre, o desaparecido, o torturado, o prisioneiro, com todos esses corpos que sofrem, está perto de Deus[3].

Nestes dias de crise, vale a pena repetirmos uns aos outros a mensagem da Ressurreição de Cristo, da vida que Deus promete e concede à humanidade. Precisamos crescer na certeza da Ressurreição. A vida é mais forte que a morte.

A esperança está em Deus, mas Ele nos ensina o amor fraterno e nos faz acreditar mais na solidariedade, vencendo o egoísmo e buscando o bem dos demais.

Olhar para Jesus, fitar Jesus no faminto, no encarcerado, no enfermo, na pessoa nua, em quantos não têm um trabalho e devem e são responsáveis por uma família. Fitar Jesus nestes nossos irmãos e irmãs; ver Jesus em quantos estão sozinhos, tristes, em quem erra e tem necessidade de conselhos, naquele que precisa de percorrer o caminho com Ele, em silêncio, para se sentir em companhia. São estas as obras que Jesus nos pede[4]!

[1] Papa Francisco.
[2] Papa Francisco.
[3] São Oscar Romero.
[4] Papa Francisco.

Assessoria de Comunicação

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