Papa Francisco

Papa: não basta mudar os livros litúrgicos para melhorar a qualidade da liturgia

Falando na antessala da Sala Paulo VI aos cerca de 80 participantes do encontro, que incluem 22 cardeais, 8 arcebispos e 11 bispos, além de funcionários e consultores, o Pontífice enfatizou que a liturgia é a epifania da comunhão eclesial. Para melhorar sua qualidade, é preciso mudar o coração, evitar cair em estéreis polarizações ideológicas e cultivar a formação permanente do clero e dos leigos. A mistagogia – afirmou – é um caminho idôneo para entrar no mistério da liturgia.

Os primeiros passos de um caminho

O Papa começou recordando a instituição da Congregação para o Culto Divino por Paulo VI, em 8 de maio de 1969, com o objetivo “de dar forma à renovação desejada pelo Vaticano II”. A tradição orante da Igreja, de fato, “tinha necessidade de expressões renovadas, sem perder nada de sua riqueza milenar, antes pelo contrário, redescobrindo os tesouros das origens”.

Francisco recordou então os primeiros passos de um caminho, “sobre o qual prosseguir com sábia constância”, citando a promulgação do ‘Moto Proprio’ Mysterii paschalis sobre o  Calendário Romano e o Ano Litúrgico e a importante Constituição Apostólica Missale Romanum,  com a qual o Santo Papa promulgou o Missal Romano. No mesmo ano, recordou, veio à luz “o Ordo Missae e vários outros Ordo, entre os quais, o do Batismo das crianças, do Matrimônio e das Exéquias”.

“Sabemos  – disse o Pontífice – que não basta mudar os livros litúrgicos para melhorar a qualidade da liturgia. Somente isto seria um engano. Para que a vida seja verdadeiramente um louvor agradável a Deus, é preciso de fato mudar o coração”, e para esta conversão que “é orientada a celebração cristã,  que é um encontro da vida com o ‘Deus dos vivos.'”

Colaboração entre a Sé Apostólica e as Conferências Episcopais

Também hoje este é o objetivo do trabalho exercido pela Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, voltado a “ajudar o Papa a exercer o seu ministério em benefício da Igreja em oração espalhada por toda a terra”. E na “comunhão eclesial, atuam tanto a Sé Apostólica como as Conferências Episcopais, em espírito de cooperação, diálogo e sinodalidade”:

“ A Santa Sé, de fato, não substitui os bispos, mas colabora com eles para servir, na riqueza das várias línguas e culturas, a vocação orante da Igreja no mundo. Nesta linha colocou-se o Motu proprio Magnum principium (3 de setembro de 2017), com o qual eu quis favorecer, entre outras coisas, a necessidade de uma “constante cooperação, plena de confiança recíproca, vigilante e criativa, entre as Conferências Episcopais e o Dicastério da Sé Apostólica que exerce a missão de promover a sagrada liturgia”.

O voto – disse o Papa – é “de prosseguir no caminho da mútua colaboração, conscientes das responsabilidades envolvidas pela comunhão eclesial, na qual a unidade e a variedade encontram harmonia. É um problema de harmonia”.

Estéreis polarizações

Aqui também está inserido o desafio da formação – observa o Santo Padre – sublinhando que “a liturgia é vida que forma, não uma ideia a ser aprendida”. A este propósito – acrescentou –  é útil recordar que “a realidade é mais importante do que a ideia”:

“E é bom por isso, na liturgia como em outros âmbitos da vida eclesial, não acabar em estéreis polarizações ideológicas que nascem muitas vezes quando, considerando as próprias ideias válidas para todos os contextos, chega-se a assumir uma atitude de perene dialética em relação a quem não as compartilha. Assim, começando quem sabe pelo desejo de reagir a algumas inseguranças do contexto atual, corre-se o risco de voltar-se a um passado que não existe mais ou de fugir para um  futuro presumido como tal. O ponto de partida, pelo contrário, é  reconhecer a realidade da sagrada liturgia, tesouro vivo que não pode ser reduzido a gostos, receitas e correntes, mas deve ser acolhido com docilidade e promovido com amor, enquanto alimento insubstituível para o crescimento orgânico do Povo de Deus”.

A liturgia não é “o campo do faça-você-mesmo” – alerta o Pontífice – “ mas a epifania da comunhão eclesial”:

“Portanto, nas orações e nos gestos ressoa o “nós” e não o “eu”; a comunidade real, não o sujeito ideal. Quando se recordam nostalgicamente tendências passadas ou se querem impor novas, corre-se o risco de antepor a parte ao todo, o eu ao Povo de Deus, o abstrato ao concreto, a ideologia à comunhão,  e na raiz, o mundano ao espiritual”.

Formação litúrgica do Povo de Deus

“A formação litúrgica do Povo de Deus” é o tema desta Assembleia Plenária, e “a tarefa que nos espera – diz Francisco –  é “essencialmente difundir entre o povo de Deus, o esplendor do mistério vivo do Senhor, que se manifesta na liturgia”:

“Falar da formação litúrgica do Povo de Deus significa antes de tudo tomar consciência do papel insubstituível que a liturgia desempenha na Igreja e para a Igreja. E pode ajudar concretamente o povo de Deus a interiorizar melhor a oração da Igreja, a amá-la como experiência de encontro com o Senhor e com os irmãos e, diante disso, redescobrir nela o conteúdo e observar seus ritos”.

Sendo a liturgia “uma experiência voltada à conversão da vida pela assimilação do modo de pensar e de comportar-se do Senhor – observa – a formação litúrgica não pode limitar-se simplesmente em oferecer conhecimentos – isso é errado -, mesmo necessários, sobre os livros litúrgicos, e tampouco tutelar o cumprimento das disciplinas rituais”. Mas para que a liturgia possa cumprir sua função formativa e transformadora, enfatiza o Papa, “é necessário que os pastores e leigos sejam introduzidos a compreender dela o significado e a linguagem simbólica, incluindo a arte, o canto e a música a serviço do mistério celebrado”.

Mistagogia, caminho idôneo para entrar no mistério da liturgia

O próprio Catecismo da Igreja Católica – recorda Francisco –  adota o caminho mistagógico para ilustrar a liturgia, valorizando nela a oração e os sinais:

“A mistagogia: eis um caminho idôneo para entrar no mistério da liturgia, no encontro vivo com o Senhor crucificado e ressuscitado. Mistagogia significa descobrir a vida nova que no Povo de Deus recebemos mediante os Sacramentos, e redescobrir continuamente a beleza de renová-la”.

Formação permanente

A formação permanente do clero e dos leigos, especialmente aqueles envolvidos nos ministérios ao serviço da liturgia, foi outro aspecto destacado pelo Santo Padre em seu pronunciamento:

“As responsabilidades educativas são compartilhadas, mesmo que cada diocese esteja mais envolvida na fase operativa. A reflexão de vocês vai ajudar o Dicastério a amadurecer linhas e diretrizes para oferecer, no espírito de serviço, a quem – Conferências Episcopais, dioceses, institutos de formação, revistas – tem a responsabilidade de cuidar e acompanhar a formação litúrgica do Povo de Deus”.

Queridos irmãos e irmãs – foi a exortação final do Pontífice –  “todos somos chamados a aprofundar e reavivar a nossa formação litúrgica”,  e diante de vocês está esta grande e bela tarefa: “trabalhar para que o povo de Deus redescubra a beleza de encontrar o Senhor na celebração de seus mistérios, e encontrando-o, tenha vida em seu nome (…). E peço a vocês para reservarem a mim sempre um lugar – amplo – em suas orações”.

Texto integral, até o momento somente em italiano: https://is.gd/oz6wHt

Fonte: Vatican News

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