O Tempo Pascal em Paralelo com o Atual Momento Nacional

Querido (a) Diocesano (a),

Há poucos dias, celebrávamos a maior festa cristã: a Páscoa. Após três dias tristes de ausência de vida e esperança, uma explosão de alegria tomou conta das testemunhas do túmulo vazio. Passaram-se séculos de história e ainda hoje é sentida a força da ressurreição de Jesus que preenche o vazio do coração humano. No início de mais um Tempo Pascal, a Liturgia da Igreja enriquece, com textos pascais, a vida do cristão do século XXI, fazendo um paralelo com atual momento social e nacional.

Vivemos tempos de crise política, econômica e institucional. Na política, paira uma confusão de ideologias partidárias. Não se encontra meio termo entre aliados e opositores ao governo. Dissolveram-se, no lamaçal da corrupção política, os princípios condutores da ética e da moral. Os poderes executivo e judiciário andam em choque. E a sociedade caminha perdida, sem referência sólida geradora e promotora de projetos comuns inclinados à justiça e vida plena para todos.

No dia 10 de março de 2016, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – divulgou nota sobre o atual momento do país, a qual orienta a Igreja do Brasil a se manter em estado de cautela aguardando a apuração dos fatos decorrentes das investigações que a justiça comum vem realizando.  O objetivo da missiva é incentivar o diálogo e a paz entre os homens de boa vontade, não havendo, da parte dos cidadãos, sobretudo católicos, julgamentos precipitados, fomentados, muita das vezes, pela espetacularização da mídia.

Segundo a entidade, “O momento atual não é de acirrar ânimos. A situação exige o exercício do diálogo à exaustão. As manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com respeito às pessoas e instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito”. E continua: “Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno”.

O combate da corrupção no meio político virá por meio de reformas sérias e comprometidas com o bem comum, sentido original da política. A Igreja é a favor de uma política justa, fraterna e comprometida com projetos concretos que garantam direitos iguais, promovam vida digna para todos e dissipem a cultura de morte que elimina sonhos, não permitindo, desta forma, o indivíduo vislumbrar um mundo novo possível.

Nessa perspectiva, a prática cristã precisa estar coerente com a Boa Nova do Evangelho, isto é, gestos e palavras sempre muito bem alinhados com a proposta de Jesus Cristo que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.

Diante deste cenário político tenso, propício a divisões, é preciso manter os olhos fixos no Senhor, “que não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção” (At 2,32).

Celebrando as alegrias pascais, responsabilizados pela Casa Comum (CF 2016) e vivendo o Ano da Misericórdia (2015-2016), desejo aos bispos eméritos, padres, religiosos, religiosas, seminaristas, vocacionados e fiéis leigos e leigas a força pujante e ativa do ressuscitado na caminhada pastoral e a minha oração solidária em tempos de tribulação.

Que Deus, na sua infinita misericórdia, nos abençoe!
Feliz Páscoa!

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano

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