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Misericordiosos e Diligentes

Querido (a) Diocesano (a),

Decorridos cinco anos de preparação na Escola Diaconal São João Paulo II, dezesseis candidatos serão acolhidos no primeiro grau do Sacramento da Ordem para servirem à Igreja e inaugurarem uma nova fase da nossa história. Trata-se da primeira Ordenação Diaconal de homens casados na Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano. Falar sobre o Diaconato Permanente hoje, é apresentar uma realidade concreta.

A palavra Diácono tem origem no grego, diakonia, e quer dizer serviço. Este ministério surge na Igreja primitiva, no contexto histórico dos Atos dos Apóstolos (At 6, 1-7) e, com o tempo, foi evoluindo. O auge de seu desempenho se dá no século IV, “Ligado à missão e à pessoa do bispo, este papel abarcava o serviço litúrgico, a pregação do Evangelho e de ensino da catequese e, finalmente, uma abrangente atividade voltada às obras de caridade e à administração dos bens eclesiásticos” (Comissão Teológica Internacional, 2002, p. 32). Mas a partir do século V, inicia-se o processo de decadência e desaparecimento do diaconato, ao menos enquanto ministério permanente.

A Ordenação de Diáconos permaneceu apenas tendo em vista a Ordenação Presbiteral, aos seminaristas, candidatos a abraçarem o celibato pelo sacerdócio ordenado, conhecidos como Diáconos Transitórios. Dos três graus do Sacramento da Ordem, o Diácono ocupa o primeiro. Todo presbítero, obrigatoriamente, antes de assumir o ministério sacerdotal, é Ordenado Diácono a fim de adotar em seu novo estado de vida clerical a diaconia.

O Diaconato Permanente foi resgatado pelo Concílio Vaticano II. O Beato Papa VI, em 1967, iniciou, com a colaboração dos bispos, reflexão acerca do assunto e, por conseguinte, uma gama de documentos surgiu para valorizar esse importante Ministério. A Lumen Gentium, n. 29, e o Motu Proprio de Paulo VI, Sacrum diaconatus ordine serão documentos pioneiros no processo de restauração do Diaconato Permanente.

Atualmente, muitos fiéis leigos se incomodam quando veem ou ouvem falar sobre a relação do Diácono com sua família: esposa e filhos. Essa reação é compreensível, pois o ministério permanente dos Diáconos desapareceu devido a diversas situações históricas, predominando a imagem do Diácono Transitório. O Rito da Ordenação para ambos é o mesmo, excluindo, no momento indicado, o juramento do celibato para os homens casados. Em muitas dioceses brasileiras, a Ordenação de Diáconos Permanentes é uma constante há anos.

Na nossa Diocese, o processo de discernimento vocacional e formação acadêmica dos candidatos ao Diaconato Permanente são dirigidos pela Escola Diaconal São João Paulo II. Nesse ambiente formativo, o candidato constrói a base de sua identidade diaconal pautada na caridade e administração dos bens eclesiásticos, vive momentos de integração com bispo, padres, colegas de turma e família, aprofunda a espiritualidade cristã e se dedica a seguir a recomendação de São Policarpo (69 d.C.-155 d.C.): “Misericordiosos e diligentes, procedam em harmonia com a verdade do Senhor que se fez servidor de todos”.

A partir de agora, a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano contará com os Diáconos Permanentes no serviço ao Povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade em comunhão com o Bispo e seu presbitério; deverão administrar solenemente o Batismo, conservar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o matrimônio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler as Escrituras aos fiéis, administrar os sacramentais, oficiar exéquias e enterros.

Neste momento feliz da história da Diocese, agradeço àqueles que tiveram a iniciativa de introduzir esse Ministério na nossa Igreja Particular e colaboraram para que esta primeira turma fosse ordenada: bispo e padres; e às esposas dos ordenados que, doravante, junto com seus filhos, formarão uma família diaconal.

 

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo de Itabira-Coronel Fabriciano