Amoris Laetitia: Alegria do Amor na Família

Querido (a) Diocesano (a),

Nos últimos anos, a Igreja, por meio de seus pastores, voltou o seu olhar atento para a família, célula mãe da sociedade e santuário da vida. Isto é notado no documento do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo moderno, de 1965. Os desdobramentos da valorização da família vieram nos anos seguintes. Em 1968, o Papa Beato Paulo VI apresentava a Carta Encíclica, Humanae Vitae, sobre a regulação da natalidade. E, em 1981, São João Paulo II, incansável defensor da família cristã, presenteava o mundo com a Exortação Apostólica Familiaris Consortio, sobre a função da família cristã no mundo de hoje.

O Papa Francisco, seguindo a linha de seus antecessores, também teve a sensibilidade pastoral de desenvolver um documento coerente às necessidades da atualidade. O método de consulta inovador, usado pelo Pontífice, possibilitou um documento direcionado às famílias do mundo inteiro. A Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, apresentada no último dia 08 de abril de 2016, conjuga os verbos acompanhar, discernir e integrar a fragilidade. Ela pretende reafirmar com força, não o “ideal” da família, mas a sua realidade rica e complexa.

O documento é fruto de pesquisas feitas nas dioceses através de um questionário aberto lançado ao mundo em 2013.  As respostas do questionário efetuadas por homens e mulheres de diversas partes do mundo, colaboraram nas reflexões realizadas em dois sínodos: o primeiro, extraordinário, realizado no mês de outubro de 2014; o segundo, ordinário, constituído por bispos, teólogos e leigos, ocorrido em 2015, o qual inspirou a atual Carta Magna da família cristã: “Alegria do amor”.

A Alegria do amor está organizada em nove capítulos, a saber: 1. À luz da Palavra; 2. A realidade e o desafio das famílias; 3. O olhar fixo em Jesus: a vocação da família; 4. O amor no matrimônio; 5. O amor que se torna fecundo; 6. Algumas perspectivas pastorais; 7. Reforçar a educação dos filhos; 8. Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade; 9. Espiritualidade conjugal e familiar.

O capítulo oitavo vai tratar objetivamente das situações irregulares, pastoralmente conhecidas como casos especiais. O discernimento da parte dos pastores é imprescindível, pois cada caso é um caso. Neste capítulo, o Papa observa:

–  “Temos de evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diversas situações e é necessário estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição” (AL 296).

– “Trata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objeto duma misericórdia “imerecida, incondicional e gratuita” (AL 297).

– “Os divorciados que vivem numa nova união, por exemplo, podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral” (AL 298).

É uma satisfação saber que o Plano da Ação Evangelizadora e Pastoral de nossa diocese (2015 -2019) está em consonância com os anseios do Santo Padre, explicitamente aplicados no documento Alegria do Amor. A Família é uma prioridade que precisa ser abraçada e defendida por todos nós. Ao concluir a Exortação, o Papa usa uma belíssima oração a Jesus, Maria e José. Desejo que todo o esforço dos que acompanham as famílias seja inspirado pelo exemplo da Sagrada Família.

No mês dedicado a Maria, peço a sua maternal intercessão pelas famílias e concedo a todos minha bênção.

 

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo de Itabira-Coronel Fabriciano

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