Palavra do Bispo

Maria: Essência do Plano de Salvação

No mês de maio, a Igreja realiza de forma especial, celebrações dedicadas à Santíssima Virgem Maria. No Brasil, além do mês de maio, vivemos intensamente também o mês de outubro, dedicado à padroeira do país e de nossa diocese, Nossa Senhora Aparecida.

Celebrar Nossa Senhora, significa agradecer o plano da salvação de Deus para a humanidade, pois este plano passa essencialmente por Ela. É como nos ensinou o Papa Francisco em sua primeira reflexão de 2017 durante o momento do Angelus: “Deus pede a Maria não somente para ser a mãe de seu Filho Unigênito, mas também para colaborar com o Filho e para o Filho no plano de salvação a fim de que nela, serva humilde, se cumpra as grandes obras da misericórdia divina”.

A Santíssima Virgem não se fechou aos momentos maternos com Jesus, mas permaneceu atenta a tudo o que acontecia ao redor Dele para que a misericórdia de Deus fosse manifestada. Podemos exemplificar com clareza essa abertura, citando o episódio das Bodas de Caná, ocasião em que foi realizado o primeiro dos muitos milagres de Jesus.

Vendo a necessidade daquele casal de noivos, Maria diz a seu filho: “eles não têm mais vinho ”. Jesus apesar de relutante volta seu olhar misericordioso para aqueles que precisavam e transforma a água em vinho, depois da ação de sua Mãe.

Ao dizer sim a Deus, através do Arcanjo Gabriel, Nossa Senhora “se disponibilizou a ser envolvida na realização do plano de salvação de Deus, ´que dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias´”.

Sabendo disso, é importantíssimo que nós também nos disponibilizemos para que o plano de Deus se realize em nossas vidas. É essencial que façamos como os serventes daquele mesmo episódio das Bodas de Caná. Maria exclamou: “ Façam tudo o que Ele vos disser”! O milagre é uma via de mão dupla, não como uma forma de compensação, mas como uma forma de ação, a Mãe do céu nos ensina isso de todas as formas.

Pedir é relevante, agir é indispensável. A misericórdia se manifesta em nossa realidade pessoal a partir do momento em que praticamos a caridade, bondade e amor para com todos. Os serventes gastaram suas forças levando a água que Jesus transformou em vinho para o casal. Conclui-se que, de certa forma aqueles servos praticaram a caridade para com o casal, e com isso eles foram também agraciados com o melhor dos vinhos.

Celebrando os 300 anos da aparição da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, peçamos insistentemente a intercessão da Mãe Maria, para assumirmos efetivamente a responsabilidade de verdadeiros cristãos, agindo com diligente misericórdia.

Deus nos abençoe!

 

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano

Misericordiosos e Diligentes

Querido (a) Diocesano (a),

Decorridos cinco anos de preparação na Escola Diaconal São João Paulo II, dezesseis candidatos serão acolhidos no primeiro grau do Sacramento da Ordem para servirem à Igreja e inaugurarem uma nova fase da nossa história. Trata-se da primeira Ordenação Diaconal de homens casados na Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano. Falar sobre o Diaconato Permanente hoje, é apresentar uma realidade concreta.

A palavra Diácono tem origem no grego, diakonia, e quer dizer serviço. Este ministério surge na Igreja primitiva, no contexto histórico dos Atos dos Apóstolos (At 6, 1-7) e, com o tempo, foi evoluindo. O auge de seu desempenho se dá no século IV, “Ligado à missão e à pessoa do bispo, este papel abarcava o serviço litúrgico, a pregação do Evangelho e de ensino da catequese e, finalmente, uma abrangente atividade voltada às obras de caridade e à administração dos bens eclesiásticos” (Comissão Teológica Internacional, 2002, p. 32). Mas a partir do século V, inicia-se o processo de decadência e desaparecimento do diaconato, ao menos enquanto ministério permanente.

A Ordenação de Diáconos permaneceu apenas tendo em vista a Ordenação Presbiteral, aos seminaristas, candidatos a abraçarem o celibato pelo sacerdócio ordenado, conhecidos como Diáconos Transitórios. Dos três graus do Sacramento da Ordem, o Diácono ocupa o primeiro. Todo presbítero, obrigatoriamente, antes de assumir o ministério sacerdotal, é Ordenado Diácono a fim de adotar em seu novo estado de vida clerical a diaconia.

O Diaconato Permanente foi resgatado pelo Concílio Vaticano II. O Beato Papa VI, em 1967, iniciou, com a colaboração dos bispos, reflexão acerca do assunto e, por conseguinte, uma gama de documentos surgiu para valorizar esse importante Ministério. A Lumen Gentium, n. 29, e o Motu Proprio de Paulo VI, Sacrum diaconatus ordine serão documentos pioneiros no processo de restauração do Diaconato Permanente.

Atualmente, muitos fiéis leigos se incomodam quando veem ou ouvem falar sobre a relação do Diácono com sua família: esposa e filhos. Essa reação é compreensível, pois o ministério permanente dos Diáconos desapareceu devido a diversas situações históricas, predominando a imagem do Diácono Transitório. O Rito da Ordenação para ambos é o mesmo, excluindo, no momento indicado, o juramento do celibato para os homens casados. Em muitas dioceses brasileiras, a Ordenação de Diáconos Permanentes é uma constante há anos.

Na nossa Diocese, o processo de discernimento vocacional e formação acadêmica dos candidatos ao Diaconato Permanente são dirigidos pela Escola Diaconal São João Paulo II. Nesse ambiente formativo, o candidato constrói a base de sua identidade diaconal pautada na caridade e administração dos bens eclesiásticos, vive momentos de integração com bispo, padres, colegas de turma e família, aprofunda a espiritualidade cristã e se dedica a seguir a recomendação de São Policarpo (69 d.C.-155 d.C.): “Misericordiosos e diligentes, procedam em harmonia com a verdade do Senhor que se fez servidor de todos”.

A partir de agora, a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano contará com os Diáconos Permanentes no serviço ao Povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade em comunhão com o Bispo e seu presbitério; deverão administrar solenemente o Batismo, conservar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o matrimônio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler as Escrituras aos fiéis, administrar os sacramentais, oficiar exéquias e enterros.

Neste momento feliz da história da Diocese, agradeço àqueles que tiveram a iniciativa de introduzir esse Ministério na nossa Igreja Particular e colaboraram para que esta primeira turma fosse ordenada: bispo e padres; e às esposas dos ordenados que, doravante, junto com seus filhos, formarão uma família diaconal.

 

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo de Itabira-Coronel Fabriciano

Viva a Juventude!

Querido(a) Diocesano(a),

                Viva a Juventude!  Meu primeiro encontro com o Setor Diocesano da Juventude, realizado no dia 19 de junho, na ARPAS, em João Monlevade, contou com vários jovens de seguimentos juvenis das três Regiões Pastorais. Nele encontravam-se representantes das seguintes expressões: Pastoral da Juventude, Novas Comunidades, Ministério Jovem (RCC), Juventude Vicentina, Congregação Mariana, Movimento Jovem de Santa Maria de Itabira e Jovens Universitários.

                A programação teve início com uma oração, seguida da apresentação do vídeo do Setor Juventude, fornecido pela Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB e grupos de partilha. Uma manhã enriquecida pela diversidade de carismas vividos pela juventude da Diocese através dos representantes que participaram da reunião. Vimos que o Setor é processo de construção a partir do testemunho evangélico da unidade e respeito pela identidade de cada expressão juvenil.

                A juventude é um clamor presente no Plano da Ação Evangelizadora e Pastoral da nossa Diocese. Sua participação ativa inspira compromisso com o futuro da Igreja e, consequentemente, da sociedade. Sem perder sua identidade, cada seguimento juvenil colabora na construção de uma igreja pautada na “comunhão, na partilha e na unidade”, sobretudo em nível diocesano, onde o Setor está estruturado.

                A Diocese acredita na pastoral de conjunto em meio à diversidade de expressões juvenis: “Queremos colaborar com a pluralidade de pastorais, grupos, movimentos e serviços que existem na Diocese para trabalharem em conjunto, visando o bem da juventude, e para que os nossos jovens, reconhecidos como sujeitos e protagonistas, contribuam na ação de toda a Igreja, especialmente na evangelização dos outros jovens” (PAEP, 2015-2019, pp. 47-48).

Momentos de encontro e celebração:

– A juventude todos os anos celebra o DNJ – Dia Nacional da Juventude, organizado pelo Setor Diocesano da Juventude. Este ano, o evento terá como tema “Juventude e nossa Casa Comum”; e lema: “vou criar novo céu e nova terra” (Is 65,17). Os jovens são protagonistas na reivindicação por políticas públicas para a juventude. Inspirados na Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum”, refletirão acerca da preservação do meio ambiente.

– Os jovens de nossa Diocese também poderão realizar, juntamente com a Imagem Jubilar de Nossa Senhora Aparecida, o projeto missionário ROTA300 cujo lema é “300 anos de bênçãos: com a Mãe Aparecida, Juventude em Missão”. O projeto pensado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude – CEPJ, em abril de 2015, é “um momento privilegiado do protagonismo juvenil em nosso país”, onde “os jovens participam da organização da peregrinação da imagem de Nossa Senhora Aparecida em todas as Dioceses do Brasil”.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). Este é o tema indicado pelo Papa Francisco para a 31ª Jornada Mundial da Juventude, a realizar-se nos dias 25 de julho a 1º de agosto de 2016, na Polônia. No mês da Jornada Mundial da Juventude, tocados pela misericórdia do Pai, os jovens poderão renovar o seu compromisso missionário e irradiar a luz de Cristo.

Um jovem Papa!

No ano de 1958, o padre Karol Wojtyla, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Cracóvia tornando-se, com 38 anos de idade, o bispo mais jovem da Polônia. Em 1964 tornou-se arcebispo de Cracóvia e, em 1967, foi elevado a cardeal pelo Papa Paulo VI.  Em 1978, aos 58 anos, foi eleito Papa. Seu pontificado está intimamente ligado à história da JMJ. Será a primeira Jornada Mundial da Juventude após a canonização do Papa João Paulo II, ocorrida no dia 27 de abril de 2014. 

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano

A valorização do trabalho dos leigos e leigas

Querido (a) Diocesano (a),

O trabalho do episcopado brasileiro durante a 54ª Assembleia Geral da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – ocorrida nos dias 06 a 15 de abril, resultou no novo documento da entidade: Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade. Sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14). O seu conteúdo quer elucidar a vocação e a missão dos leigos, isto é, do serviço à Igreja dos batizados que não exercem o ministério ordenado.

No Documento Conciliar sobre a Igreja, Lumen Gentium, de 1964, abre-se nova perspectiva de compreensão sobre a função do laicato na Igreja e no mundo.  O conceito, Igreja, Povo de Deus, resgatado pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), tornou-se chave de leitura para entender  a eclesiologia vigente pregada e vivida na Igreja nos últimos tempos, sobretudo no pontificado do Papa Francisco.

O Decreto Conciliar Apostolicam Actuositatem, sobre o apostolado dos leigos, de 1965, ressalta: O Concílio quer explicar, neste decreto, a natureza, a identidade e a variedade do apostolado dos leigos, enunciar-lhe os princípios fundamentais e dar instruções pastorais para o seu eficaz exercício, estabelecendo normas a serem levadas em conta no direito canônico, no que respeita aos leigos (AA 1). Esta foi a base na qual o laicato se apoiou, consolidando os projetos de transformação social em comunhão com a Igreja.

No Brasil, há décadas que a participação dos leigos é valorizada. Uma das razões desse reconhecimento é a escassez de sacerdotes ordenados. Diante disso, os leigos desempenham seu ministério de forma harmônica com seus pastores atuando nas pastorais, nos movimentos e nos vários serviços de promoção humana. Portanto, o seu trabalho enriquece a diversidade de dons e carismas presentes na Igreja e favorece a evangelização no mundo.

Em nossa Igreja Particular existem leigos organizados que trabalham à frente das comunidades eclesiais colaborando com o dinamismo da Ação Evangelizadora e Pastoral.  Há leigos e leigas atuantes no Ministério da Palavra, do Batismo, Testemunhas Qualificadas para o Matrimônio e Ministros Extraordinários da Distribuição da Sagrada Comunhão Eucarística. A Diocese também conta com Conselho de Leigos, o qual articula a tarefa imensa e difícil de levar os cristãos a agirem na transformação, por dentro das estruturas sociais, sem porém deixar de fazer a sua parte no interno da Igreja (Objetivo do Conselho Nacional de Leigos do Brasil – CNLB) .

Outro espaço de convivência fraterna entre os leigos é a Festa da Diocese. A organização do evento proporciona momentos de acolhida, encontro e celebração da unidade entre as lideranças leigas.

A participação ativa dos leigos nesses eventos, entre outros, desenha o rosto do laicato das três Regiões Pastorais e, aos poucos, cada fiel batizado vai encontrando sua vocação, sendo sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14).

No mês em que a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano completa mais um ano de criação e instalação, convido todos para a Festa da Diocese que terá como tema: Povo de Deus cuidando com misericórdia da Casa Comum; e o lema: Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (Mt 5,6).

Deus seja louvado pela atuação do laicato nas centenas de comunidades distribuídas entre as paróquias e quase paróquia desta Igreja Particular.

Que a presença da Mãe Aparecida, padroeira de Nossa Diocese, anime cada vez mais a missão dos leigos e leigas da nossa Diocese.

Deus abençoe a todos!

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano deItab ira-Coronel Fabriciano

Amoris Laetitia: Alegria do Amor na Família

Querido (a) Diocesano (a),

Nos últimos anos, a Igreja, por meio de seus pastores, voltou o seu olhar atento para a família, célula mãe da sociedade e santuário da vida. Isto é notado no documento do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo moderno, de 1965. Os desdobramentos da valorização da família vieram nos anos seguintes. Em 1968, o Papa Beato Paulo VI apresentava a Carta Encíclica, Humanae Vitae, sobre a regulação da natalidade. E, em 1981, São João Paulo II, incansável defensor da família cristã, presenteava o mundo com a Exortação Apostólica Familiaris Consortio, sobre a função da família cristã no mundo de hoje.

O Papa Francisco, seguindo a linha de seus antecessores, também teve a sensibilidade pastoral de desenvolver um documento coerente às necessidades da atualidade. O método de consulta inovador, usado pelo Pontífice, possibilitou um documento direcionado às famílias do mundo inteiro. A Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, apresentada no último dia 08 de abril de 2016, conjuga os verbos acompanhar, discernir e integrar a fragilidade. Ela pretende reafirmar com força, não o “ideal” da família, mas a sua realidade rica e complexa.

O documento é fruto de pesquisas feitas nas dioceses através de um questionário aberto lançado ao mundo em 2013.  As respostas do questionário efetuadas por homens e mulheres de diversas partes do mundo, colaboraram nas reflexões realizadas em dois sínodos: o primeiro, extraordinário, realizado no mês de outubro de 2014; o segundo, ordinário, constituído por bispos, teólogos e leigos, ocorrido em 2015, o qual inspirou a atual Carta Magna da família cristã: “Alegria do amor”.

A Alegria do amor está organizada em nove capítulos, a saber: 1. À luz da Palavra; 2. A realidade e o desafio das famílias; 3. O olhar fixo em Jesus: a vocação da família; 4. O amor no matrimônio; 5. O amor que se torna fecundo; 6. Algumas perspectivas pastorais; 7. Reforçar a educação dos filhos; 8. Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade; 9. Espiritualidade conjugal e familiar.

O capítulo oitavo vai tratar objetivamente das situações irregulares, pastoralmente conhecidas como casos especiais. O discernimento da parte dos pastores é imprescindível, pois cada caso é um caso. Neste capítulo, o Papa observa:

–  “Temos de evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diversas situações e é necessário estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição” (AL 296).

– “Trata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objeto duma misericórdia “imerecida, incondicional e gratuita” (AL 297).

– “Os divorciados que vivem numa nova união, por exemplo, podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral” (AL 298).

É uma satisfação saber que o Plano da Ação Evangelizadora e Pastoral de nossa diocese (2015 -2019) está em consonância com os anseios do Santo Padre, explicitamente aplicados no documento Alegria do Amor. A Família é uma prioridade que precisa ser abraçada e defendida por todos nós. Ao concluir a Exortação, o Papa usa uma belíssima oração a Jesus, Maria e José. Desejo que todo o esforço dos que acompanham as famílias seja inspirado pelo exemplo da Sagrada Família.

No mês dedicado a Maria, peço a sua maternal intercessão pelas famílias e concedo a todos minha bênção.

 

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo de Itabira-Coronel Fabriciano

O Tempo Pascal em Paralelo com o Atual Momento Nacional

Querido (a) Diocesano (a),

Há poucos dias, celebrávamos a maior festa cristã: a Páscoa. Após três dias tristes de ausência de vida e esperança, uma explosão de alegria tomou conta das testemunhas do túmulo vazio. Passaram-se séculos de história e ainda hoje é sentida a força da ressurreição de Jesus que preenche o vazio do coração humano. No início de mais um Tempo Pascal, a Liturgia da Igreja enriquece, com textos pascais, a vida do cristão do século XXI, fazendo um paralelo com atual momento social e nacional.

Vivemos tempos de crise política, econômica e institucional. Na política, paira uma confusão de ideologias partidárias. Não se encontra meio termo entre aliados e opositores ao governo. Dissolveram-se, no lamaçal da corrupção política, os princípios condutores da ética e da moral. Os poderes executivo e judiciário andam em choque. E a sociedade caminha perdida, sem referência sólida geradora e promotora de projetos comuns inclinados à justiça e vida plena para todos.

No dia 10 de março de 2016, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – divulgou nota sobre o atual momento do país, a qual orienta a Igreja do Brasil a se manter em estado de cautela aguardando a apuração dos fatos decorrentes das investigações que a justiça comum vem realizando.  O objetivo da missiva é incentivar o diálogo e a paz entre os homens de boa vontade, não havendo, da parte dos cidadãos, sobretudo católicos, julgamentos precipitados, fomentados, muita das vezes, pela espetacularização da mídia.

Segundo a entidade, “O momento atual não é de acirrar ânimos. A situação exige o exercício do diálogo à exaustão. As manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com respeito às pessoas e instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito”. E continua: “Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno”.

O combate da corrupção no meio político virá por meio de reformas sérias e comprometidas com o bem comum, sentido original da política. A Igreja é a favor de uma política justa, fraterna e comprometida com projetos concretos que garantam direitos iguais, promovam vida digna para todos e dissipem a cultura de morte que elimina sonhos, não permitindo, desta forma, o indivíduo vislumbrar um mundo novo possível.

Nessa perspectiva, a prática cristã precisa estar coerente com a Boa Nova do Evangelho, isto é, gestos e palavras sempre muito bem alinhados com a proposta de Jesus Cristo que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.

Diante deste cenário político tenso, propício a divisões, é preciso manter os olhos fixos no Senhor, “que não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção” (At 2,32).

Celebrando as alegrias pascais, responsabilizados pela Casa Comum (CF 2016) e vivendo o Ano da Misericórdia (2015-2016), desejo aos bispos eméritos, padres, religiosos, religiosas, seminaristas, vocacionados e fiéis leigos e leigas a força pujante e ativa do ressuscitado na caminhada pastoral e a minha oração solidária em tempos de tribulação.

Que Deus, na sua infinita misericórdia, nos abençoe!
Feliz Páscoa!

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano

Ano Santo Extraordinário da Misericórdia

Querido (a) Diocesano (a),

Iniciamos mais um ano civil, acompanhado, desta vez, pelo Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, inaugurado pelo Papa Francisco no dia 08 de dezembro de 2015. Na edição do ELO DIOCESANO do mês de maio de 2015, publiquei uma síntese da Bula Papal Misericordiae Vultus, imaginando como este ano poderia ser vivido em nossa diocese. Depois de alguns meses, escrevo novamente para tratar do assunto com uma proposta no coração e na mão. Baseado na Bula do Santo Padre, tive a preocupação de escrever  uma Carta Pastoral contendo orientações e uma programação para se viver bem o Ano da Misericórdia.

Uma comissão composta por padres das três Regiões Pastorais colaborou com a produção da Carta. O documento é
direcionado aos Bispos Eméritos, Presbíteros, religiosos e religiosas, candidatos ao Diaconato Permanente, seminaristas, vocacionados e ao dileto Povo de Deus. Em nossa Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano ainda nos alegramos, pois ressoa em cada diocesano a marca do nosso Jubileu Áureo de criação e instalação da Diocese (1965-2015), e que agora se desdobra na vivência deste Ano Santo Extraordinário da Misericórdia.

Aproveitemos este tempo favorável para reavivar em nossa Igreja Particular, o sentido da misericórdia divina,  fazendo-nos redescobrir o valor que esta palavra possui para a fé cristã e para a ação eclesial. Apesar dos
desafios do tempo presente, o Ano Santo nos deixará em sintonia com o nosso Plano de Ação Evangelizadora
e Pastoral, levando cada fiel a descobrir o rosto de Cristo no exercício de sua missão e no seio de sua família.

Com esta Carta Pastoral desejo que este Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, seja um ano de profunda renovação espiritual para nossa Igreja.

Nossa primeira atitude deverá ser de abrir nossos corações para a divina misericórdia e, diante do mundo, desfigurado pelo pecado e por suas consequências pessoais e sociais, cultivemos um olhar de misericórdia que nos leve à prática das obras de misericórdia, caminho de salvação para nós e para todos.

Necessitamos neste tempo favorável de nos unir enquanto Povo de Deus para sentir a dor, inclusive dos pecados do
mundo e oferecer orações e sacrifícios pela nossa conversão e de todas as pessoas, para que no mundo se concretize o Reino de Deus, um novo céu e uma nova terra. (Ap 21,1)

“Cantaremos eternamente a misericórdia do Senhor ” (Sl 88), que concedeu à nossa Diocese 50 anos de  evangelização.

Quanto Deus foi misericordioso para conosco  ao longo deste tempo! Quantas graças concedidas! Quanto perdão restaurador! Agora, ele reaviva nossas forças para que de olhos fixos nele (Lc 4,20b) possamos continuar testemunhando que seu amor é sem fim!

Louvemos a Deus por este Ano Santo, em que poderemos peregrinar à Casa de Nossa Senhora Aparecida, mãe da misericórdia, pedindo-lhe que nos revele sempre o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus Cristo.

Enfim, suplico ao Senhor, Pai de Misericórdia, que derrame abundância de graças sobre todos os irmãos e irmãs desta Igreja Particular, para que com o “coração pulsante do Evangelho” se empenhem neste Ano
Santo a serem “misericordiosos como o Pai”.

Que Deus, na sua infinita misericórdia, nos abençoe!

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano

Sejamos Sinais de Esperança

Querido irmão,
Querida irmã,

No dia 19 de fevereiro de 2015, aconteceu o encontro da Província Eclesiástica de Mariana, realizado em Itabira, MG, por ocasião das comemorações do cinquentenário da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano. O objetivo do encontro era salientar a preservação do meio ambiente, analisar a realidade ambiental das quatro dioceses que compõem a província e levantar os sinais de morte decorrentes da exploração das mineradoras em plena atividade na região.

Uma carta compromisso da província eclesiástica sobre o meio ambiente foi escrita para ratificar as aspirações do 1º Seminário da Província sobre Meio Ambiente, nos dias 21 a 23 de novembro de 2014 em Conceição de Ipanema/MG, Diocese de Caratinga. Dentre outras preocupações, a missiva destacava a exploração dos recursos naturais: mineração, construção de barragens. O problema da construção de barragens no entorno das cidades mineradoras sempre foi percebido como ameaça à vida.

A voz profética da Igreja, naquele momento, defendia a vida e denunciava a exploração mineral desordenada e irresponsável, portadora de morte.   A luta pela defesa dos direitos humanos foi assumida por todos. Meses depois, uma triste notícia: as barragens Santarém e Fundão no distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, MG, romperam-se causando dano ao meio ambiente e morte de pessoas. A agressão ocasionada pelo rompimento das barragens é incalculável.

Não há como imaginar o trauma de milhões de pessoas, motivado por esse desastre criminoso. Não se sabe ainda o que a avalanche de rejeito da atividade mineradora provocará ao meio ambiente e a biodiversidade ao longo da Bacia do Rio Doce. Uma coisa é certa: o meio ambiente não suporta mais tanta degradação.

O Papa Francisco, na Carta Encíclica Laudato Sí, de 18 de junho de 2015, conclamou a humanidade a tomar consciência da preservação da casa comum. O Santo Padre, no capítulo quatro do documento, destaca uma relação íntima entre análises ambientais, sociais e humanas. Segundo o Papa, meio ambiente e ser humano são inseparáveis: a destruição de um, ocasionará o desaparecimento do outro.

O caso Mariana é apenas a ponta do iceberg. O relatório da FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente), órgão responsável pelas barragens mineiras, mostra que a situação é crítica em todo o Estado: “das 735 barragens de MG, 228 são consideradas de ‘alto risco’, destas, 42 não tiveram ‘estabilidade garantida’ pelos auditores em 2014, sendo 29 averiguadas e outras 13 as empresas não apresentaram os documentos necessários”.

Se os órgãos competentes não tomarem medidas preventivas e corretivas, o meio ambiente sofrerá danos irreversíveis.

É lamentável saber que as vítimas que tiveram suas residências destruídas pela lama do rejeito de minério, após o rompimento das barragens em Bento Rodrigues, passarão a Festa do Natal longe do seu ambiente de vida.

Não esqueçamos que esta festa cristã alimenta a esperança do povo. Em meio a tantos dados trágicos, há sempre sinais de vida.

 Portanto, sejamos sinais de esperança sendo solidários com nossas preces e ações junto àqueles que esperam a garantia do cumprimento dos seus direitos.

                Feliz Natal e um Ano Novo pleno da Misericórdia de Deus para você e sua família!

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Coronel Fabriciano

Construindo um história de Amor e Dedicação

Queridos Diocesanos,

                Final de ano é tempo de fazer balanço. É comum nas empresas o fechamento das portas para avaliar o movimento de um ano em detrimento do novo ano que se aproxima. Na Igreja não precisamos fechar as portas para fazer balanço, entretanto, é necessário um olhar atento no Plano da Ação Evangelizadora e Pastoral e avaliar o seu desenvolvimento. Nesta reta final do ano, vale a pena apresentar alguns itens que foram realizados e que ainda se realizarão previstos no calendário pastoral 2015. Uma atenção para as atividades referentes ao Jubileu da Diocese.

                Desde o ano passado, a  Diocese se debruça sobre um calendário de atividades alusivas ao ano do seu cinquentenário e de trabalhos pastorais. Neste Ano Santo, bispos, padres, religiosos e religiosas, seminaristas, candidatos ao diaconato permanente, lideranças e fiéis leigos e leigas foram contemplados com devidas e justas homenagens.

                Ainda no final de 2014, os bispos eméritos Dom Lelis Lara e Dom Odilon Guimarães Moreira, foram condecorados em Missas alternadas na Catedral Diocesana e na Co-catedral de Cel. Fabriciano. A Diocese também se lembrou carinhosamente dos seus bispos e   padres falecidos que ajudaram a construir meio século de história.

                A Província Eclesiástica de Mariana, composta pela Arquidiocese de Mariana, e pelas Dioceses de Caratinga, Governador Valadares e Itabira-Cel. Fabriciano fez a sua homenagem à Diocese de Itabira-Cel. Fabriciano realizando uma reunião da Província na cidade de Itabira, a qual foi presidida pelo Arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha, contando com a presença de bispos, padres, religiosos e religiosas e fiéis leigos e leigas representantes de pastorais das quatro dioceses.

                O ponto alto do jubileu foi a Festa da Diocese de 2015. Um dia memorável preparado com muito esmero para os diocesanos de diversas cidades, representantes das três Regiões Pastorais e das 49 paróquias. Neste dia, a Diocese ganhou dois livros, verdadeiros instrumentos de trabalho e pesquisa. Os livros são: o Plano da Ação Evangelizadora e Pastoral (2015-2019) e o livro dos cinquenta anos de história da Diocese. O primeiro é fruto da Assembleia Diocesana de 2014, que priorizou a Família e a Missão, e trouxe os clamores: Meio Ambiente, Pastorais Sociais e Juventude; o segundo trata-se de um excelente livro de história da nossa Igreja, um memorial dos 50 anos da Diocese de Itabira-Cel. Fabriciano.

                Durante o ano do cinquentenário da Diocese, três novos  padres foram ordenados presenteando, dessa forma, a nossa Igreja Particular. As missas de ordenação foram propícias para uma promoção vocacional no intuito de animar os corações dos jovens que se encontram em discernimento vocacional e reacender o amor dos padres pelo seu sacerdócio ordenado.

                Além das atividades contidas na programação do Ano Jubilar (2014-2015), outras atividades entre as pastorais e movimentos foram realizadas para celebrar o jubileu. Sinto-me feliz por ver o carinho dos líderes à frente de suas funções servindo com alegria, nesta Diocese. Todos os colaboradores de nossas comunidades se sintam incluídos nos meus agradecimentos, e preparados para continuar essa história de amor e dedicação.

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Cel. Fabriciano

Igreja em Missão

Querido diocesano,

“A missão não é proselitismo ou mera estratégia; a missão faz parte da “gramática” da fé, é algo imprescindível para quem escuta a voz do Espírito”.  Este é o pano de fundo da mensagem do Papa Francisco para o 89º Dia Mundial das Missões a ser celebrado em toda a igreja no dia 18 de outubro de 2015. Esta iniciativa é consequência da renovada consciência da natureza missionária da Igreja, oriunda da Ad Gentes .

No campo ou na cidade, todo fiel batizado é chamado a assumir a missão de evangelizar com renovado ardor missionário. No cinquentenário do Concílio Vaticano II (1962-1965), vale a pena lembrar o Decreto Ad Gentes, aprovado pelo Beato Papa Paulo VI, no dia 07 de dezembro de 1965, considerado a Carta Magna para a revitalização e reorganização da imensa atividade missionária da Igreja.

O Decreto Conciliar tem a seguinte sequencia capitular: 1. Princípios Doutrinais; 2. A Obra Missionária em si mesma; 3. As Igrejas Particulares; 4. Os Missionários; 5. A Organização da Atividade missionária; 6. A Cooperação. A partir desse importante documento da década de 1960, a evangelização da Igreja se decentraliza e alcança as periferias existenciais e do mundo.

Uma das prioridades aprovada e assumida na última Assembleia da Ação Evangelizadora e Pastoral da nossa Diocese foi a Missão. Em muitas paróquias já foi feito estudo do conteúdo do Plano, fruto da referida Assembleia. Aos poucos as comunidades vão tomando conhecimento da missão confirmada pelos documentos da Igreja. Dessa forma, o espírito da missão vai se impregnando em todas as realidades do território geográfico de nossa extensa Diocese.

As Equipes Paroquiais de Assessoria Pastoral, organizadas a partir da nova configuração do Plano da Ação Evangelizadora e Pastoral, apresentam-se como uma iniciativa missionária que necessita de conhecimento para exercerem a sua função. Nas partilhas feitas pelos padres que já constituíram as EPAPs, em suas respectivas paróquias, os presbíteros disseram que os assessores leigos assumiram com entusiasmo o trabalho de acompanhamento da pastoral paroquial. Uma boa formação permanente capacitará os agentes garantindo uma assistência às demandas pastorais, hoje tão desafiantes.

A Congregação para a Evangelização dos Povos, organismo que ajuda o Papa no direcionamento da missão da Igreja, solicitou aos bispos que, no quinquagésimo aniversário da promulgação da Ad Gentes, realizem um programa que destaque pelo menos dois âmbitos: 1) realizar, em nível diocesano ou paroquial, uma solene Celebração Eucarística que é fonte e cume da vida e missão da Igreja; 2) organizar momentos de estudo, reflexão e debate sobre o Decreto Ad Gentes, onde possam tomar parte o Clero, os Religiosos e os Leigos (especialmente os catequistas), envolvendo também institutos de formação como Escolas de Ensino Médio, Seminários e Universidades presentes na Diocese. Portanto, mãos à obra!

No mês dedicado à missão, dentro das comemorações do cinquentenário do Concílio Vaticano II e do decreto conciliar Ad Gentes, desejo a todos um trabalho pastoral voltado para uma Igreja em saída e em permanente estado de missão.

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Cel. Fabriciano

A Intimidade com a Palavra de Deus

Irmãos e Irmãs,
Paz e Benção no Senhor!

A Igreja no Brasil dedica o mês de setembro à Bíblia. Nos espaços da igreja, a temática é abordada de muitas maneiras. Os grupos que trabalham diretamente com a sagrada Escritura se mobilizam de modo criativo para expressar a importância que deve ser dada à leitura dos textos sagrados. Entretanto, nem sempre foi assim. O manuseio da Palavra de Deus chegou oficialmente aos fiéis católicos com a renovação da Igreja através do Concílio Vaticano II (1962-1965).

A Bíblia durante anos ficou restrita aos clérigos e estudiosos. O contato com o livro sagrado foi determinado através do documento conciliar Dei Verbum, constituição dogmática sobre a revelação divina, aprovada no dia 17 de novembro de 1965, pelo Papa Beato Paulo VI.

A Dei Verbum está dividida em seis capítulos, a saber:
1. A revelação;
2. A transmissão da revelação divina;
3. Inspiração divina e interpretação da Escritura Sagrada;
4. O Antigo Testamento;
5. O Novo Testamento;
6 . A Sagrada Escritura na vida da Igreja.

Ela é eixo dentro da produção literária do Concílio Vaticano II, que seguiu as pegadas dos concílios de Trento (1545-1563) e do Vaticano I (1870). A inovação aparece nas linhas do sexto capítulo. Assim é afirmado no documento: “A Igreja sempre honrou as Escrituras como corpo do Senhor, especialmente na santa liturgia, em cuja mesa não deve faltar nem a palavra de Deus, nem o corpo do Senhor, para serem dados aos fiéis” (21).  Nele, encontra-se também a novidade da abertura para a intimidade com a Palavra de Deus: “o acesso às sagradas Escrituras deve ser aberto a todos os fiéis” (22).

A partir desse documento, a compreensão da bíblia se popularizou. No Brasil, os círculos bíblicos surgiram com metodologia simples desenvolvida pelo frei carmelita, Carlos Mesters. Dom Marcos Antônio Noronha encontrava-se na última sessão do Concílio Vaticano II que aprovou a Dei Verbum e, ao retornar de Roma, testemunhou os primeiros acessos da Bíblia na cidade de Itabira. Ao assumir a Diocese, uma de suas primeiras iniciativas foi a criação de Grupos de Reflexão. Ele mesmo participava das reflexões com as pessoas nos bairros; o primeiro livreto foi chamado Tempo de Reflexão.

Na comemoração dos cinquenta anos da aprovação da Dei Verbum, é preciso retomar as suas orientações diante do trabalho de divulgação da Palavra de Deus. A Constituição é um instrumento norteador que auxilia os católicos na aquisição de conhecimento das sagradas Escrituras. Portanto, a leitura bíblica incentivada pela Igreja deve favorecer atitude de gratidão a Deus por nos revelar o seu Verbo e no compromisso com o seu projeto de amor para com a humanidade.

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Cel. Fabriciano

Continuar a Caminhada Evangelizadora, anunciando a Boa Nova do Reino

A Festa da Diocese de 2015 preservou todas as características das festas anteriores. Este ano o encontro da unidade diocesana contou com a celebração dos cinquenta anos da Diocese. Uma multidão de fiéis esteve no Parque de Exposições da cidade de Itabira, sede do bispado, para comemorar com alegria esse memorável evento. A intensa programação da festa uniu as pessoas provenientes de todos os rincões de nossa Diocese para viverem as novidades trazidas por ocasião do jubileu.

Nossa igreja ficou mais rica. Quem participou do evento no último dia 14 de junho, em Itabira, percebeu o amor e a paz predominando naquele ambiente festivo. Foi um grande acontecimento sustentado pela partilha fraterna e ajuda mútua. A pluralidade cultural das três regiões pastorais  enriqueceu o jubileu; pastorais e movimentos apresentaram, por meio de seus líderes, os trabalhos que constroem a unidade diocesana em meio a diversidade de dons.

Foi um encontro de gerações. No meio da multidão encontravam-se leigos das três regiões pastorais que vivenciaram o primeiro contato com os pioneiros dessa história. No clero, também estavam personalidades que testemunharam os atos de criação e instalação desta Igreja Particular, uma atenção para o Cardeal Serafim Fernandes de Araújo que, na década de 1960, veio como bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e, após cinquenta anos, retornou a Itabira para comemorar o Jubileu.

Durante a programação da festa, a equipe de elaboração do Plano da Ação Evangelizadora e Pastoral lançou o documento que direcionará  a pastoral em nossa Diocese nos próximos cinco anos.  Dividido em seis capítulos, o documento apresenta: 1. Retomando a nossa caminhada; 2. Urgências da Ação Evangelizadora; 3. A Assembleia na Ação evangelizadora e Pastoral; 4. Plano de Ação: Família e Missão; 5. Equipe Paroquial de Assessoria Pastoral EPAP; 6. Avaliação periódica do Plano. Uma tarefa desafiadora a ser feita com dinamismo e criatividade.

 Dentre as atividades, um gesto concreto foi pensado para lembrar este dia feliz. A comissão da festa providenciou paras as 49 paróquias, uma muda de árvore frutífera – Sapucaia –  para ser plantada nos arredores da paróquia. A Diocese tem compromisso social e nos últimos anos vem se esforçando, através de forças conjuntas, no combate de práticas que destroem o meio ambiente.  Após o plantio, a identificação e o cultivo, a árvore será um símbolo vivo do cinquentenário para as futuras gerações.

Nossa Diocese tem vida e anuncia o Evangelho com alegria favorecendo vida plena para todos. (…) nela está verdadeiramente presente a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica (Christus Dominus, 11), e está preparada para continuar a sua caminhada evangelizadora anunciando a Boa Nova do Reino. Deus seja louvado pela Diocese de Itabira-Cel. Fabriciano.

Dom Marco Aurélio Gubiotti
Bispo Diocesano de Itabira-Cel. Fabriciano