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Hoje é celebrado o Martírio de São João Batista, decapitado por anunciar a Verdade

Com o coração contrito, porém enlevado, a Igreja hoje, 29 de agosto, celebra a memória do martírio de São João Batista, o primo e precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual, o próprio Jesus elogiou como o “maior dentre os nascidos de mulher”. Contudo, a grandeza de João Batista notada por muitos, que até mesmo pensavam ser ele o Messias (Cf. Jo 1,19-20), nunca foi para ele motivo de vanglória, mas sim uma oportunidade de professar sua obediência com humildade: “Não sou o Messias. Depois de mim vem alguém mais importante. Dele nem sou capaz de desatar as sandálias de seus pés” (At 13, 25).

Com um testemunho luminoso, João Batista viveu a essência do profetismo, pois anunciava com amor e denunciava com destemor pela causa do Reino dos Céus. Entretanto, como toda denúncia sempre incomoda, não foi diferente com João Batista, pois ao denunciar o pecado de Herodes, que tinha como amante Herodíades, mulher de seu irmão, provocou a ira deles que mandaram o prender, e em outra oportunidade, quando a filha de Herodíades podia conseguir o que quisesse, a mãe lhe ordenou: “Pede a cabeça de João Batista”, o que lhe foi concedido e feito, cortaram a cabeça do profeta, e a levaram num prato para ela.

Ao enxergar com olhos espirituais o martírio de São João Batista, entendemos que possivelmente Herodíades nunca pensou que cortar a cabeça de um profeta, não silencia sua profecia, pelo contrário, só lhe dá mais volume e alcance. E no caso de São João Batista, imaginamos a grande alegria que ele deve ter sentido em dar sua cabeça, pois afinal, já tinha dado o coração Àquele que ensinou a todos para “não ter medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma”.

No proveito da memória litúrgica de João Batista, o papa emérito Bento XVI na catequese do seu dia em 2012 nos motivou: “Queridos irmãos e irmãs, celebrar o martírio de São João Batista lembra também a nós, cristãos do nosso tempo, que não podemos nos esquivar do compromisso com o amor de Cristo, sua Palavra, a Verdade. Verdade é verdade, não pode ser negociada. A vida cristã exige, por assim dizer, o ‘martírio’ da fidelidade diária ao Evangelho, que é a coragem de deixar que Cristo cresça em nós, direcione o nosso pensamento e nossas ações. Mas isso só pode acontecer em nossas vidas se for sólido o nosso relacionamento com Deus”.

Neste dia, iluminados pelo testemunho de vida de São João Batista, peçamos ao Senhor a graça de também nós sermos humildes profetas, de amarmos a verdade, e por ela pautarmos nossa vida com fidelidade, cônscios de que muitas vezes, essa lealdade custará um preço, mas se o nosso coração estiver em Deus, é o que teremos de mais valioso, e isso jamais nos poderá ser arrancado. São João Batista rogai por nós!

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