Artigos de Formação

Finados: Saudades dos que se foram e Esperança na vida eterna

Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá (Jo 11,25)

Queridos irmãos e irmãs, a nossa vida toda é tecida de encontros e a morte é o último ato da nossa existência, o encontro definitivo com Deus.

Quando nascemos, iniciamos uma linda viagem de trem. Diz uma música: “Não sei como aconteceu, quando acordei eu já era eu”. Sim, quando abrimos os olhos já estávamos viajando. Em alguma estação, alguém desembarca e novas pessoas embarcam neste trem. Muitos descem e deixam saudades sem fim, enquanto outras simplesmente passam.

A viagem da vida é assim: cheia de encontros, embarques e desembarques, de surpresas agradáveis e tristes, com atropelos, sonhos, esperas… Todos sabem que esse trem não volta e que a ordem de desembarque não obedece a ordem de entrada no trem, por isso ninguém sabe em que estação descerá nem muito menos quem embarcará.

Num indefinido dia, quando eu descer do trem, terei que deixar tudo para trás. Nada poderei levar comigo, a não ser o amor que vivi e o bem que pude fazer. Separar-me dos amigos e da minha família poderá deixar um enorme vazio, carregado de tristeza. Mas me agarro na esperança de que estarei na estação principal, na eternidade a espera de todos.

Meus irmãos e irmãs, a vida é uma viagem e a gente é só passageiro. A vida é tecida de encontros, pouco ou bastante profundos. A viagem é transitória e pode ser rápida e é única. “Todo mundo ama um dia, todo mundo chora, um dia a gente chega e o outro vai embora”.

O desembarque do trem pode ser visto sob dois aspectos: representação da morte, limite estabelecido diante do qual não se passa, o fim imposto de uma história. Pode também ser visto como a representação de ter chegado onde se queria ir desde o início, a alegria de voltar para casa e encontrar alguém que está nos esperando.

Celebramos finados. Dia repleto de saudade e esperança que nos recorda que somos todos viajantes “nesta longa estrada da vida”. Rezar pelos nossos falecidos é nutrir a esperança cristã de uma vida sem fim junto de Deus, a vida eterna.

Em finados celebramos a vida e não a morte. Celebramos a comunhão dos santos e a nossa caminhada como Igreja, seja na união com os que estão ainda nesta vida, como os que já faleceram. Celebramos a certeza da ressurreição de Cristo e se com ele vivemos também com ele ressuscitaremos. Os cristãos, a partir da morte e ressurreição de Jesus Cristo, passam a ter a certeza na vida eterna e por causa disso sabem que a morte é apenas uma passagem, é uma separação apenas parcial e limitada.

A celebração de finados leva-nos a compreender o amor de Deus por todos. São filhos e filhas amados, criados segundo a sua imagem e semelhança. Foi por amor e para o amor que Ele deu o dom da vida. Viver bem e em plenitude é o desejo que o Criador tem para todos e cada um de nós.

A realidade da morte, no entanto, vem nos fazer olhar além do imediatismo do dia a dia para ver que o amor de Deus é ainda maior do que se pensa. Vida e morte são dois grandes mistérios que ultrapassam nossa compreensão. O nascimento e o falecimento nos levam a fazer as três perguntas: De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? Pela fé, cremos que a primeira e a última questão têm uma única resposta. Nossa origem e nosso destino é o coração de Deus. Nele temos a plenitude da vida. Aprendemos, pois, que a eternidade já começa aqui e agora! Cada um tem um tempo de vida. Não cabe a nós dizer que certa pessoa viveu muito ou viveu pouco. A vida não se mede pela quantidade dos anos, mas pela capacidade de amar, perdoar, doar etc.

Façamos memória agradecidos por tudo de bom que eles significaram para nós. Assim, a dor da saudade vai cedendo lugar ao verdadeiro amor que nos faz ofertar a vida de cada um deles ao Senhor. Que o amor infinito de Deus nos conforte e nos dê forças para vivermos na alegria do Evangelho, firmes na esperança da ressurreição.

Pe. Ueliton Neves da Silva
Assessor Diocesano de Comunicação

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A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, espero continuar a ser.

 

Me deem o nome que vocês sempre me deram,
Falem comigo como sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.

 

Não utilizem em tom solene ou triste, continuem a rir
Daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim.

 

Que meu nome seja pronunciado como sempre foi,
Sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.

 

A vida significa tudo o que ela sempre significou,
O fio não foi cortado. Porque eu estaria fora de seus pensamentos,
Agora que estou apenas fora de suas vistas?

 

Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho…
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua,
linda e bela como sempre foi.

 

Santo Agostinho

 

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