Igreja no Mundo

Dom Gil: “homem atual precisa olhar para Cristo, cuja mensagem principal é o amor”

A Igreja completou a caminhada quaresmal e segue rumo ao ápice do Ano Litúrgico: a Festa da Páscoa, a celebração mais importante para os cristãos. O arcebispo de Juiz de Fora (MG), dom Gil Antônio Moreira, escreveu artigo no qual ressalta a sempre atual e indispensável celebração do mistério da morte e ressurreição de Jesus.

Foto: reprodução/arquidiocese de Juiz de Fora

Na Semana Santa, iniciada com o Domingo de Ramos, “celebramos a Páscoa da Ressurreição e, para isso, meditamos sobre a forma com que isto aconteceu na vida de Jesus Cristo”. Dom Gil continua: “Como homem, assumiu todas as dores e sofrimentos da humanidade. Como Deus, foi capaz de vencer a morte e ressuscitar. E esta grande graça é transmitida a todos nós, todos aqueles que n’Ele acreditam. Nós também vamos morrer, mas vamos ressuscitar com Ele, pela força d’Ele”.

Dom Gil aborda a celebração dos mistérios na Semana Santa, quando se passa pela reflexão da dor, dos sofrimentos e das injustiças. O arcebispo ainda aponta para Cristo, a quem o homem atual precisa olhar e contemplar sua mensagem de amor.

“Muitas vezes vivemos uma cultura de ódio, de vingança, de disputa. A cultura de Cristo é a cultura do amor. Por isso, saber sofrer, morrer e viver com amor é uma das mensagens mais importantes que o homem do século XXI deve aprender. A dor e o sofrimento são realidades da vida, ninguém pode delas escapar. E, por isso, quando nós vemos Cristo sofrer da forma que sofreu, e da maneira com que assumiu o sofrimento e a morte, nós aprendemos com Ele a lição mais importante para a vida”
-Dom Gil Antônio Moreira.

Ainda sobre a atualidade da mensagem de Cristo e da celebração da Semana Santa, dom Gil explica que a humanidade tem fases históricas e, em todas elas, a mensagem de cristo tem sentido “indispensável”.

“Celebrar esses mistérios, os mais importantes da nossa fé, tem uma grande importância, de fato, para todos nós que vivemos nessa época de progressos tão significativos e às vezes de lacunas tão dolorosas na nossa vida humana, na nossa relação com o próximo e com Deus”.

“Celebrar os mistérios da Semana Santa, da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, significa apresentar Jesus como Deus que continua nos salvando. O ato salvador de Cristo não está preso a um determinado momento da história. Ele é perpétuo, por isso ele vai tendo efeitos nos vários momentos históricos da vida da humanidade”, ensina.

Tríduo Pascal

O bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, dom Armando Bucciol, explica sobre as celebrações fortes da Semana Santa que antecedem a Páscoa do Senhor. Iniciado com a Ceia do Senhor, o Tríduo Pascal envolve três momentos em uma única celebração. “Em três momentos, a Igreja proporciona aos seus filhos e filhas esta atualização, esta vivência mais intensa e profunda de Cristo morto e ressuscitado entre nós”, explica dom Bucciol.

O presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB explica a motivação e espiritualidade presentes em cada dia do tríduo:

Quinta-feira Santa
“Começamos com a celebração da Ceia Pascal, na quinta-feira à noite, em que nós fazemos memória da grande ceia da despedida, que começa, segundo o evangelista João, com o gesto do lava-pés. Cristo manifesta sua disponibilidade a amar até o fim, ele se considera o servo da humanidade”.

Sexta-feira da Paixão
“Depois da Ceia Pascal, com a celebração da Eucaristia, memória viva do maior mistério do amor de Deus, do sacrifício de Cristo até as últimas consequências, eis que, na sexta-feira, nós celebramos este rito sóbrio de uma intensíssima espiritualidade da morte do Senhor. Naquele dia, a Igreja não tem a celebração da eucaristia, mas convida seus fiéis a olhar, a contemplar o crucificado, Cristo que morre na Cruz. Ele nos amou até doar a última gota do seu sangue”.

Sábado Santo
“Depois do silêncio do Sábado Santo, em que a Igreja medita e reflete Cristo morto, eis que chegamos à noite da Vigília Pascal, em que celebramos a vitória de Cristo sobre a morte, a morte foi vencida e a Igreja vibra e renova a sua fé, a sua esperança numa plenitude vivida de realização que Cristo já semeou, plantou na terra e que nos fins dos tempos se realizará plenamente. A Vigília Pascal conclui o tríduo”.

“É interessante observar que o sinal da Cruz se faz começando a Eucaristia na quinta-feira e repetimos com bênção final na celebração da Vigília Pascal e, através desse simbolismo litúrgico expressamos essa unidade dos três momentos celebrativos que caracterizam esse tríduo sacro”, sublinha dom Armando, recordando o sentido de uma única celebração nos três dias de tríduo.

Fonte: CNBB