Igreja no Mundo

“Dia da Criança não é somente dar brinquedos e guloseimas”, defende arcebispo de Maringá (PR)

O arcebispo de Maringá (PR) e presidente do Conselho Diretor da Pastoral da Criança, dom Anuar Battisti, por ocasião do Dia da Criança, celebrado no Brasil no dia 12 de outubro, concedeu entrevista ao Portal da CNBB. Dom Anuar enviou sua mensagem a todos que se dedicam à Igreja, nos diferentes serviços, ao trabalho com crianças. Nas linhas abaixo, o religioso fala do trabalho que a Pastoral da Criança desenvolve em todo país, ação com incidência direta na redução dos índices de mortalidade infantil no Brasil. O religioso defende que festejar o Dia da Criança não é somente dar brinquedos e guloseimas. Para ele, a data é também um dia de reflexão sobre vários aspectos importantes na vida da criança como as condições de saúde, escola, nutrição, oportunidades de brincar e respeito aos seus direitos. Confira a íntegra da entrevista.

1 – Qual mensagem para o Dia da Criança?

Hoje, nós não podemos falar de uma família perfeita. Estamos falando de uma diversidade de vida familiar muito grande, então, sim, a família é responsável pois é ela que vai passar para essa criança os valores da vida. Agora, quando os pais não estão preparados para isso, quando os pais não têm condições de fazer isso, temos que ajudar, defender a família, porque é por meio dela que se transmite os verdadeiros valores da vida.

Os pais querem o melhor para seus filhos e sabemos que o consumismo exagerado do nosso tempo não é bom para as crianças, nem para qualquer pessoa. Por isso, festejar o dia da criança não é somente dar brinquedos e guloseimas. É também um dia de reflexão sobre vários aspectos importantes na vida da criança. As condições de saúde, escola, nutrição, oportunidades de brincar e respeito aos seus direitos.

Outro aspecto é a necessidade de afeto que a criança tem. Sabemos também que crianças na fase de zero a seis anos gostam de estar junto da mãe, do pai, de fazer atividades com eles. Não adianta dar presente se não se dá atenção. É preciso dar tempo, afeto e escutar a criança. Ser presença constante no dia a dia e dar seu tempo e presença em quantidade e qualidade aos pequenos. Aproveitamos para pedir, neste dia das crianças, as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida, mãe, rainha e padroeira do nosso Brasil, para todas as crianças e o povo brasileiro.

2 – Que aspectos do trabalho da Pastoral da Criança o senhor gostaria de ressaltar neste Dia da Criança no Brasil?

A missão da Pastoral da Criança é promover o desenvolvimento das crianças, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, do ventre materno aos seis anos, por meio de orientações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania, fundamentadas na mística cristã que une fé e vida, contribuindo para que suas famílias e comunidades realizem sua própria transformação. Para nós, a criança é prioridade absoluta e defendemos que é dever de todos – pais, comunidade, sociedade, governo etc, garantir que todas tenham condições dignas e oportunidades para crescer e se desenvolver de maneira satisfatória e saudável.

Eu penso que nós vamos de fato proteger, promover, defender a vida das crianças, a partir do momento que nós entendermos as crianças como criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus, não são seres que vieram por acaso. Talvez, possa ser até fruto do desamor e ter sido geradas e colocados neste mundo sem amor, mas as crianças precisam ser cuidadas e cuidadas com amor.

Todos os cidadãos devem ser cuidados, protegidos, defendidos na sua dignidade, ter o direito à saúde, escola, moradia, segurança. Isto é lei constitucional e não podemos jogar a responsabilidade da educação das crianças só para família e muito menos só para a escola. Deve haver uma integração entre a família, a escola, as instituições civis, religiosas, para que, integradas, trabalhem juntas.

Fonte: CNBB