Notícias da Diocese

Das entrelinhas da Campanha da Fraternidade

“Nestas margens estreitas demais, Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais”

Quem nunca escutou a música “Se calarem a voz dos profetas”, talvez não consiga imaginar como ela caberia perfeitamente para a trilha de abertura da Campanha da Fraternidade em Itabira.

Tradicionalmente, a abertura é realizada sempre na Quaresma, um tempo que nos chama à reflexão, à oração, à caridade, à penitência.

A imagem do que é o “povo de Deus” caminhando, após Jesus Cristo, é esta mesmo que presenciamos na manhã deste domingo: faces completamente diferentes, “gentes” de todo canto que se misturam sem perceber ou destacar estas diferenças. As idades se aconchegaram no caminhar. Dividiram espaço debaixo das árvores e pouca sombra na Praça Acrísio. Cederam o último gole de água para o desconhecido.

E, lá, num desses cantinhos ao abrigo do sol, enquanto a Missa era celebrada, um pequeno grupo parecia vivenciar aquele “momento de oração” que a gente só experimenta no silêncio da intimidade com Deus. É preciso parar para enxergar delicadezas assim e se permitir surpreender com o dom da generosidade que Deus lançou sobre alguns.

Enquanto muitos ‘escutavam’ a Santa Missa, este pequenino grupo não desgrudava os olhos das mãos de Gleicilane Cristina da Silva. Os gestos, que nada dizem para a maioria das pessoas, davam todo o significado da celebração aos surdos, que também participaram da abertura da Campanha. Além de Gleicilane, outras duas pessoas, Mirian Benevides e Almerita Alvarenga, se revezaram na “tradução” da Missa para a linguagem dos sinais – Libras.

É bonito ver a inclusão acontecendo dentro da Igreja, sobretudo quando o Papa Francisco tem dito continuamente que a igreja deve acolher todos! É lindo, ao se discutir políticas públicas, ver que, se não os políticos, pelo menos os cristãos ainda se importam.

“O Espírito é vento incessante que nada há de prender. Ele sopra até no absurdo, que a gente não quer ver

O tema da Campanha deste ano nos chama a um debate e reflexão mais profundos. Como disse padre Chiquinho (Francisco Cruz), da Paróquia Nossa Senhora da Piedade: “nenhum direito cai do céu”. E continua: “Só existe democracia quando os direitos são respeitados. Estamos aqui, chamados pela Igreja, pela nossa fé, impulsionados pelo Evangelho e pelo Espírito Santo para lutarmos pela preservação de nossos direitos constitucionais, direitos sociais, direitos econômicos, direitos civis. Estamos aqui para que nossos direitos não apenas sejam preservados, mas para que milhões de irmãos nossos, que estão na linha da pobreza, da miséria, da fome… tenham acesso a esses direitos; tenham direito à assistência social plena, porque o poder econômico, o sistema financeiro não podem abocanhar aquilo que é do povo. Essas políticas públicas são bancadas pelos impostos que nós pagamos. Vamos sair do nosso egoísmo, vamos descruzar os nossos braços”.

“No banquete da festa de uns poucos, só rico se sentou. Nosso Deus fica ao lado dos pobres, colhendo o que sobrou”

O Vigário Episcopal da Região Pastoral I, Padre Flávio Assis, também foi incisivo: “as políticas públicas no Brasil nem sempre são direcionadas para as necessidades das populações mais carentes. Este ano, nós queremos voltar o nosso olhar a essas realidades de desigualdades e injustiças, para que, junto aos poderes constituídos, possamos construir políticas que sejam justas, solidárias e que promovam a vida para todos. Ao elegermos os representantes dos poderes constituídos, nós, enquanto sociedade, devemos nos mobilizar para cobrar das autoridades, dos eleitos que nos representam, que eles de fato proponham políticas que atendam às necessidades da população e não aos interesses de alguns, como na maioria das vezes acontece”.

Se você chegou até aqui, e conhece a música da qual falávamos lá no início, deve estar se perguntando: onde está a melhor parte? Bem… Jesus deixou claro que seria muito difícil seguir pelo seu caminho, mas foi Pedro, aquele pescador simples, meio turrão, quem disse que não havia nada mais significativo do que seguir o Mestre: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6,68).

 “É Jesus este Pão de igualdade, viemos pra comungar, com a luta sofrida de um povo que quer, ter voz, ter vez, lugar. Comungar é tornar-se um perigo, viemos pra incomodar, com a fé e a união nossos passos um dia vão chegar”.

Pastora da Comunicação
Paróquia Nossa Senhora da Saúde – Itabira (MG)

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