Artigos dos Bispos: Ramos: Jesus é Senhor!

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Domingo de Ramos abre a Grande Semana da nossa fé, a Semana Santa, que culminará com a Solenidade da Páscoa, no próximo final de semana. Neste domingo concluímos também a Campanha da Fraternidade (Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida) com a Coleta Nacional da Solidariedade. O tema continuará a ser uma inspiração durante o ano, com o lema: “Cultivar e guardar a criação”. Neste final de semana viveremos ainda a Jornada Diocesana da Juventude. (Tema: “O Todo poderoso realizou grandes coisas em meu favor”)

Ao iniciar a Semana Santa fazemos a memória da Entrada do Senhor Jesus em Jerusalém. Ele é o Filho de Davi, o Messias esperado por Israel, que vem tomar posse de sua Cidade Santa. É um Messias humilde, que entra num humilde burrico, sinal de serviço e pequenez. Ele é Rei, mas rei coroado de espinhos e não de humana vanglória. Participar desta solene procissão de ramos é reconhecê-Lo como nosso Rei e Senhor. Tê-Lo seguido é nos dispor a segui-Lo nas pobrezas e humildades da vida, dispondo-nos a participar de sua paixão e cruz para ter parte na glória de sua ressurreição.

Reconheçamos na voz do Servo sofredor, da Primeira Leitura (cf. Is 50,4-7), a voz do Filho de Deus: “O Senhor Deus me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhes resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para arrancarem a barba. O Senhor é o meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, porque sei que não serei humilhado”(cf. Is 50,4b-7). O Filho buscou humildemente, na obediência de um discípulo, a vontade do Pai – e aí encontrou força e consolo, encontrou a certeza de sua vida.

São Paulo, na Segunda Leitura (cf. Fl 2,6-11), confirma isso com palavras não menos impressionantes: “Jesus Cristo, existindo na condição divina, esvaziou-se de si mesmo, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz”. Em Cristo, num mundo que nos tenta a ser os donos da verdade, desprezando os preceitos do Senhor Deus e seus planos para nós, aprendamos a humilde obediência de Cristo Jesus, entremos em comunhão com o Cristo obediente ao Pai até a morte. Só então seremos livres realmente, somente então viveremos de verdade!

O Concílio Vaticano II, na Constituição Pastoral Gaudium et spes, nº 22, diz: De certo modo, o próprio Filho de Deus se uniu a cada homem pela sua Encarnação. Trabalhou com mãos humanas, pensou com mente humana, amou com coração de homem. Nascido de Maria Virgem, fez-se verdadeiramente um de nós, igual a nós em tudo, menos no pecado.

O Domingo de Ramos é também o Domingo da Paixão, pois lemos pela primeira vez na semana a “Paixão do Senhor” (Mt 26,14 – 27,66). Constatamos que o hosana entusiástico transformou-se, dias mais tarde, num grito furioso: Crucifica-O! Por que foi tão brusca a mudança, por que tanta inconsistência? São Bernardo comenta: “Como eram diferentes umas vozes e outras”! Fora, fora, crucifica-O, e bendito O que vem em nome do Senhor, Hosana nas alturas! Como são diferentes as vozes que agora O aclamam Rei de Israel, e dentro de poucos dias dirão: Não temos outro rei além de César! Como são diferentes os ramos verdes e a Cruz, as flores e os espinhos! Àquele a quem antes estendiam as próprias vestes, dali a pouco O despojam das Suas e lançam a sorte sobre elas.

Os ramos que trazemos nas mãos significam que reconhecemos Jesus como o Messias de Israel, prometido por Deus. Significam também que nos dispomos a segui-Lo como o Servo que dá a vida na cruz. Levaremos estes ramos para casa. Devemos guardá-los num lugar visível durante todo o ano, para recordar nosso compromisso de seguir o Cristo num caminho de humildade e despojamento; segui-Lo ainda quando não compreendemos bem os desígnios de Deus para nós.

A Igreja nos lembra que a entrada triunfal vai perpassar todos os passos da Paixão de Cristo. Terminada a procissão, mergulha-se no mistério da Paixão de Jesus Cristo: Em Is 50,4-7 descreve o Servo sofredor, na esperança da vitória final. Vemos nele a própria pessoa de Jesus Cristo. Em Fl 2,6-11 temos a chave principal de todo o mistério deste Domingo de Ramos: Jesus humilhou-Se e por isso Deus O exaltou!

Iniciamos a Semana Santa! Os símbolos, cânticos e tantos outros sinais nos são devolvidos depois dos 40 dias de penitência quaresmal. Entremos com o coração aberto para “fazer Páscoa”! Nesta liturgia somos convidados a iniciar com fé a grande semana, pois nesta vivenciamos grandes mistérios na vida de Cristo. Ao olhar para cada um deles, possamos crescer na fé, no amor e na humildade. São dons que precisamos exercer a cada dia de nossa vida, e nada melhor que aprender com Jesus.

Ao renovarmos os compromissos batismais na próxima Vigília Pascal, selaremos nosso compromisso de viver como cristãos num mundo em mudança; a Palavra ouvida será luz em nosso caminho e a Eucaristia participada alimento no caminhar de nossa vida.

Palavra do Bispo

Foto de perfil de Dom Marco Aurélio

Dom Marco Aurélio

É o atual Bispo da Diocese, sua ordenação episcopal aconteceu no dia 26 de maio de 2013. Foi nomeado Bispo da Diocese por sua Santidade Bento XVI, hoje Papa Emérito, no dia 21 de fevereiro de 2013, tomando posse no mesmo ano, na Festa da Diocese, em Itabira - MG.

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